Pantanal News

Internacional

Líderes africanos pedem soberania e integração para superar terrorismo

A soberania e a integração entre países da África são pré-requisito para a paz, estabilidade e segurança no continente. Além disso, investimentos direcionados à população jovem e controle de fronteiras fazem parte do caminho para que a região supere desafios, como à ameaça terrorista. Essa foi a tônica do 10º Fórum Internacional de Dacar sobre Paz e Segurança na África, que acontece nesta segunda-feira (20) e terça-feira (21) em Dacar, capital do Senegal.               Na sessão de abertura, o presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, apontou que o mundo passa, nos últimos anos, por desafios como fraturas comerciais entre grandes potências, protecionismo econômico e problemas relacionados às mudanças climáticas. “O nosso continente, longe de estar protegido, sofre os efeitos de todas essas crises e ainda precisa enfrentar múltiplas ameaças, como conflitos armados e o terrorismo”, afirmou. O encontro é realizado desde 2014 pelo governo senegalês e, além de reunir integrantes da alta cúpula de governos, como chefes de Estado, recebe a presença de representantes de organismos internacionais e especialistas. A edição de 2026 conta com a participação 38 países, sendo 18 das 54 nações do continente africano. Países de fora da região também acompanham as conversas, como o Brasil, representado pela embaixadora no Senegal, Daniella Xavier. Estabilidade O tema deste ano é “África enfrenta os desafios da estabilidade, integração e soberania: Quais soluções sustentáveis?”. “Esse tema nos convida a uma reflexão profunda sobre o que devemos fazer juntos, com solidariedade, para tirar o continente do ciclo de instabilidade e transformá-lo em um espaço pacífico, integrado, soberano e próspero”, afirmou o presidente senegalês. Para uma plateia que tinha entre os convidados integrantes de governos europeus que possuem passado de política colonial, como Alemanha, Espanha, Portugal e a França – que colonizou Senegal até 1960 – o presidente Diomaye fez um discurso com ênfase na soberania africana. “Não podemos mais aceitar que nossa agenda de segurança seja definida fora da África, nem que nosso espaço estratégico seja ocupado sem nosso consentimento”, sustentou. Ele chamou atenção para o papel da soberania na exploração de recursos naturais, como urânio; e petróleo e gás, descobertas recentes no país. “Esses recursos não devem mais alimentar apenas indústrias estrangeiras”, afirmou. “Extrair em nosso território, transformar em nosso território e vender a preços justos. Esse é o motor da nossa transformação estrutural”, completou. Terrorismo no Sahel Abertura do Fórum internacional de Dacar. Presidente de Senegal, Bassirou Diomaye. Foto: FÓRUM INTERNACIONAL DE DACAR – FÓRUM INTERNACIONAL DE DACAR Bassirou Diomaye dedicou especial atenção à ameaça do terrorismo, que assola o Sahel, faixa continental de costa a costa que marca a transição entre o deserto do Saara e as savanas ao sul.   Ele explicou que, desde meados da década de 2010, grupos terroristas filiados ao Estado Islâmico e à Al-Qaeda começaram a expandir a atuação em direção aos países do Golfo da Guiné, na costa do Oceano Atlântico. A edição 2026 do Índice de Terrorismo Global aponta que o Sahel é o epicentro do terrorismo no mundo. O estudo, elaborado pela organização da sociedade civil Instituto para Economia e Paz, registra que a região do Sahel responde por mais da metade de todas as mortes por terrorismo no mundo em 2025. O Sahel é formado por dez países: Senegal, Gâmbia, Mauritânia, Guiné, Mali, Burkina Faso, Niger, Chade, Camarões e Nigéria. Desses, três países se destacam negativamente na concentração dos ataques. Mali, Burkina Faso e Niger, no Sahel central, somam cerca de 4,5 mil atentados nas últimas duas décadas, que resultaram em 17 mil mortes, de acordo com o Índice de Terrorismo Global. Os especialistas apontam que as três nações são intensamente afetadas por instabilidade política, com cada uma experimentando ao menos um golpe militar na última década. Os três países lidam também com grupos insurgentes em áreas de fronteira. Ainda segundo o estudo global, uma estratégia-chave dos jihadistas (extremistas islâmicos) tem sido a falta de coordenação de segurança nas fronteiras entre países do Sahel. “Embora a soberania seja importante em crises internas, aqui é necessária uma resposta multidimensional. Devemos trabalhar igualmente para ter um controle efetivo sobre as fronteiras”, defendeu o senegalês. “Não pode haver um perigo de segurança no Mali que não diga respeito ao Senegal, ou vice-versa. É por isso que uma resposta puramente endógena (interna) de um país contra o terrorismo não seria eficaz”, exemplificou, citando o país vizinho. O presidente de Senegal considera que o terrorismo deve ser enfrentado com resposta militar, controle eficaz de fronteiras e troca de informações e operações conjuntas entre as diferentes forças de defesa e segurança dos países. Política para jovens e integração Abertura do Fórum internacional de Dacar. Presidente de Serra Leoa, Julius Manda.  – FÓRUM INTERNACIONAL DE DACAR O presidente de Serra Leoa, Julius Maada Bio, relacionou problemas de segurança na África à falha de representação pelos Estados. O líder do país na África Ocidental apontou que muitos jovens são recrutados para círculos de violência porque nenhuma instituição ofereceu a eles alternativas. Ele apontou investimentos direcionados à juventude não como política social, mas como estratégia de segurança nacional. “Extremismo e crime organizado encontram espaço nas falhas de governança e em um crescente e perigoso distanciamento entre cidadãos e o Estado. Grupos extremistas recrutam onde há desespero”, discursou. Julius Maada lembrou que lutou na guerra civil do país (1991 e 2002). “Perdemos uma década, perdemos vidas”. Com essa experiência, ele afirmou que a paz não é apenas a “ausência de guerra e o silêncio das armas”. “Mas sim o som de pessoas vivendo com dignidade e acreditando no próprio futuro”. Ele reforçou o posicionamento de líderes africanos em defesa de estabilidade, integração e soberania como soluções duradouras para os desafios de segurança. “Integração não existe sem soberania. Soberania não se sustenta sem estabilidade. Se puxarmos apenas um desses elementos, todo o sistema se desfaz”, declarou. O presidente do país, que tem no passado períodos de colonização portuguesa e britânica, jogou luz na necessidade de autodeterminação dos africanos para os problemas atuais. “Devem ser soluções africanas, baseadas na realidade africana,

Internacional

Lula diz que África do Sul não pode ser vetada do G20

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta segunda-feira (20) a ameaça de veto, pelo governo dos Estados Unidos (EUA), à participação da África do Sul no G20, grupo das maiores economias do planeta mais a União Europeia (UE). O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que não convidaria o líder sul-africano, Cyril Ramaphosa, para o próximo encontro do G20, que ocorrerá em novembro, nos EUA, que este ano preside o fórum. Desde o ano passado, Trump promove falsas acusações contra o governo da África do Sul a respeito de uma lei sobre reforma agrária aprovada pelo país e chegou a determinar recentemente o fim de ajuda financeira ao país. “Eu disse ao Ramaphosa (presidente da África do Sul), esta semana, que os Estados Unidos não têm o direito de proibir um membro fundador do G20 de participar do bloco. Eu disse ao Ramaphosa que ele deve comparecer ao G20. Ele não pode deixar de ir porque o Trump disse para ele não ir. Vamos lá ver o que vai acontecer, se vão deixar ele entrar ou não.”, afirmou Lula. Em entrevista em Hannover, na Alemanha, após se reunir com o chanceler Friedrich Merz, o presidente disse que se fosse Ramaphosa, iria ao G20 não como convidado, mas como membro fundador”. Lula está em viagem oficial à Europa, onde já passou pela Espanha e, após a visita à Alemanha, irá a Portugal antes de retornar a Brasília. Ao ser questionado por jornalistas, Lula reforçou que as acusações de Trump sobre um “genocídio branco” no país africano são inverídicas, e que ele não tem o direito nem o poder de vetar a participação de um país do G20, o que fragilizaria o grupo. “Se vai tirar a África do Sul hoje, daqui a pouco vão tirar a Alemanha, depois vão tirar o Brasil. Se a gente não se juntar, dar as mãos, eles vão tirando um por um. Aqui não é o Conselho da Paz (criado e controlado por Donald Trump, presidente dos EUA). Lula lembrou que o G20 é um fórum multilateral, que participou da criação dele, por ocasião da crise econômica de 2008. “Uma crise nascida no coração dos EUA. Aquilo foi criado para resolver problemas econômicas. Os 20 membros fundadores têm o direito de participar”, disse. FONTE: AGENCIA BRASIL

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Internacional

Mina em Goiás é vendida por US$ 2,8 bilhões a empresa dos EUA

A americana USA Rare Earth (USAR), listada na Nasdaq, anunciou nesta segunda-feira (20) a assinatura de um acordo para adquirir 100% do Serra Verde Group, responsável pela única mina em operação no Brasil que produz e processa terras raras em escala comercial. A operação foi estimada em cerca de US$ 2,8 bilhões (aproximadamente R$ 14 bilhões). Do total, US$ 300 milhões serão pagos em dinheiro, enquanto o restante será quitado por meio da emissão de 126,8 milhões de novas ações ordinárias, com base no preço de fechamento de US$ 19,95 registrado em 17 de abril. A conclusão do negócio está prevista para o terceiro trimestre deste ano. A transação ocorre em meio à crescente corrida global por minerais estratégicos, impulsionada pela busca de alternativas à China, que atualmente domina a produção e o processamento de terras raras. Esses elementos são essenciais para a fabricação de veículos elétricos, equipamentos militares, chips e tecnologias ligadas à inteligência artificial e à transição energética. EUA compram única mina de terras raras do Brasil Localizada em Goiás, a Serra Verde se destaca por ser a única mineradora fora da Ásia capaz de extrair, em escala comercial, os quatro elementos mais valorizados entre os 17 que compõem o grupo das terras raras. Essa característica faz do ativo um dos mais estratégicos no cenário global. EUA compram única mina de terras raras do Brasil por US$ 2,8 bilhões. Foto: Reprodução A aquisição também está alinhada à estratégia dos Estados Unidos de reduzir a dependência chinesa e estruturar uma cadeia produtiva completa fora da Ásia. A proposta da USA Rare Earth é verticalizar a produção, indo além da extração e separação dos minerais até a fabricação de ímãs, componentes fundamentais em diversas tecnologias modernas. Segundo a empresa, o plano é integrar a produção brasileira com unidades industriais nos Estados Unidos, França e Reino Unido, criando uma cadeia de suprimentos totalmente integrada “da mina ao ímã”. Atualmente, a Serra Verde possui capacidade de produzir cerca de 5 mil toneladas anuais de terras raras já processadas. Toda a produção inicial está comprometida em um contrato de 15 anos com uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), financiada por agências do governo norte-americano e investidores privados, garantindo preços mínimos e maior previsibilidade de receita. Recentemente, a mineradora também recebeu um aporte de US$ 565 milhões de um braço de investimentos do governo dos EUA, com a شرط de que parte da produção seja destinada ao país ou a nações consideradas aliadas.   Leia também: Dólar fecha abaixo de R$ 5 pela primeira vez em mais de dois anos

raras
Internacional

EUA compram única mina de terras raras do Brasil por US$ 2,8 bilhões

A americana USA Rare Earth (USAR), listada na Nasdaq, anunciou nesta segunda-feira (20) a assinatura de um acordo para adquirir 100% do Serra Verde Group, responsável pela única mina em operação no Brasil que produz e processa terras raras em escala comercial. A operação foi estimada em cerca de US$ 2,8 bilhões (aproximadamente R$ 14 bilhões). Do total, US$ 300 milhões serão pagos em dinheiro, enquanto o restante será quitado por meio da emissão de 126,8 milhões de novas ações ordinárias, com base no preço de fechamento de US$ 19,95 registrado em 17 de abril. A conclusão do negócio está prevista para o terceiro trimestre deste ano. A transação ocorre em meio à crescente corrida global por minerais estratégicos, impulsionada pela busca de alternativas à China, que atualmente domina a produção e o processamento de terras raras. Esses elementos são essenciais para a fabricação de veículos elétricos, equipamentos militares, chips e tecnologias ligadas à inteligência artificial e à transição energética. EUA compram única mina de terras raras do Brasil Localizada em Goiás, a Serra Verde se destaca por ser a única mineradora fora da Ásia capaz de extrair, em escala comercial, os quatro elementos mais valorizados entre os 17 que compõem o grupo das terras raras. Essa característica faz do ativo um dos mais estratégicos no cenário global. EUA compram única mina de terras raras do Brasil por US$ 2,8 bilhões. Foto: Reprodução A aquisição também está alinhada à estratégia dos Estados Unidos de reduzir a dependência chinesa e estruturar uma cadeia produtiva completa fora da Ásia. A proposta da USA Rare Earth é verticalizar a produção, indo além da extração e separação dos minerais até a fabricação de ímãs, componentes fundamentais em diversas tecnologias modernas. Segundo a empresa, o plano é integrar a produção brasileira com unidades industriais nos Estados Unidos, França e Reino Unido, criando uma cadeia de suprimentos totalmente integrada “da mina ao ímã”. Atualmente, a Serra Verde possui capacidade de produzir cerca de 5 mil toneladas anuais de terras raras já processadas. Toda a produção inicial está comprometida em um contrato de 15 anos com uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), financiada por agências do governo norte-americano e investidores privados, garantindo preços mínimos e maior previsibilidade de receita. Recentemente, a mineradora também recebeu um aporte de US$ 565 milhões de um braço de investimentos do governo dos EUA, com a شرط de que parte da produção seja destinada ao país ou a nações consideradas aliadas.   Leia também: Dólar fecha abaixo de R$ 5 pela primeira vez em mais de dois anos

Sergipe: quatro pessoas da mesma família morrem em acidente de trânsito
Brasil

Sete pessoas morrem em acidente de carro na Chapada Diamantina

De acordo com a Polícia Civil, os dois veículos colidiram de frente. Ainda não há informações sobre as causas do acidente. A batida aconteceu na rodovia BA-148. Os corpos das vítimas foram levados para o Departamento de Polícia Técnica da região. Os nomes ainda não foram divulgados. O caso foi registrado na 1ª Delegacia Territorial de Seabra. Em nota, a Prefeitura de Seabra lamentou o ocorrido, se solidarizou com os familiares das vítimas e informou que está à disposição para prestar apoio às famílias. Nas redes sociais, moradores do Vidigal relataram momentos de medo, com troca de tiros em diferentes pontos da comunidade desde as primeiras horas do dia, enquanto vídeos nas redes sociais mostravam um helicóptero sobrevoando a região em voos rasantes durante o confronto | 11h00 – 20/04/2026

Internacional

Israel e Líbano farão quinta-feira (23) segunda rodada de negociações

Representantes israelenses e libaneses manterão conversas em Washington na próxima quinta-feira (23), disse à Reuters uma fonte israelense, sob condição de anonimato, nesta segunda-feira (20). Israel será representado por seu embaixador nos Estados Unidos (EUA), Yechiel Leiter. Essa será a primeira conversa entre os dois países desde que um cessar-fogo de 10 dias entrou em vigor na quinta-feira passada (16). Islamabad O vice-presidente norte-americano, JD Vance, e a delegação dos EUA devem aterrissar no Paquistão dentro de algumas horas para conversações sobre o Irã, disse o presidente Donald Trump ao New York Post em entrevista hoje. Ele afirmou que estaria disposto a se reunir pessoalmente com líderes iranianos se houver progresso. *É proibida a reprodução deste conteúdo. FONTE: AGENCIA BRASIL

Greve de estudantes da USP cresce e chega a 15 faculdades
Brasil

Greve de estudantes da USP cresce e chega a 15 faculdades

Em assembleias na noite de sexta-feira (17), os institutos de relações internacionais, física e ciências biomédicas aprovaram adesão ao movimento. Da mesma forma, fizeram as faculdades de Ciências Farmacêuticas, de Educação, e a Escola de Comunicação e Artes, a ECA. Antes, a paralisação já havia sido aprovada na FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), na Escola de Enfermagem e nos institutos de química, psicologia, geociências e oceanografia. Historicamente avessos a movimentos grevistas, os alunos da Escola Politécnica, conhecida como Poli, também resolveram aderir ao boicote –322 deles votaram a favor do movimento e 224, contra. Ainda na quarta-feira (15), graduandos da FAUD (Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design) e da Escola de Artes, Ciências e Humanidades, a USP Leste, já haviam aprovado seu ingresso no protesto. Outras graduações e faculdades ainda realizarão suas deliberações nos próximos dias, e houve um caso de não adesão: o do curso de medicina veterinária. A USP conta com 42 unidades de ensino e pesquisa. Os estudantes grevistas pedem melhores condições de permanência, com o aumento no valor de bolsas, e denunciam a qualidade dos serviços oferecidos nos restaurantes universitários. Nas últimas semanas, surgiram denúncias de refeições estragadas e com larvas sendo servidas, especialmente na Faculdade de Direito. As unidades são terceirizadas. A greve tem apoio do DCE (Diretório Central dos Estudantes). Outro tema que incomoda os alunos é a minuta visando a regulamentação dos espaços utilizados por centros acadêmicos. Ela tramita em órgãos internos da universidade e pode acabar com o comércio realizado pelas entidades. Os servidores da USP deflagravam greve nesta terça-feira (14). O motivo da mobilização da categoria é um bônus aprovado para professores da instituição, chamado de Gace (Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas). A medida, aprovada pelo Conselho Universitário em 31 de março, cria um pagamento adicional de R$ 4.500 voltado a docentes que assumirem projetos considerados estratégicos, como a oferta de disciplinas em inglês e ações de extensão. A iniciativa já vinha sendo discutida havia anos e foi promessa de campanha do atual reitor, Aluisio Segurado, que assumiu o cargo neste ano. Ela terá impacto anual de R$ 238,44 milhões aos cofres da USP. O salário inicial de um professor-doutor na USP é de R$ 16.353,01 mensais. A bonificação representaria um acréscimo de 27,5% nesses vencimentos. Também foi o Gace que iniciou o movimento dos estudantes. Eles também fizeram paralisação nesta terça, com mais de 100 cursos participando (na capital e no interior), e agora discutem se juntar aos servidores em greve. “Nos próximos dias, todos os cursos e campi devem se reunir e discutir se farão greve nos seus locais ou não. De nossa parte, achamos que a mobilização é irreversível e só saímos com conquistas concretas”, diz o DCE. O QUE DIZ A USP Em nota publicada após a aprovação da gratificação, o reitor disse que a medida tem como objetivo promover a valorização das atividades acadêmicas e da carreira docente, “não apenas com vistas ao reconhecimento e à retenção de talentos, mas, igualmente, ao estímulo e à ampliação da excelência acadêmica como pressuposto do desenvolvimento social”. Segurado também afirmou que a instituição possui projetos para os servidores técnico-administrativos. Estaria em análise, por exemplo, a viabilidade econômica e de integração ao plano de carreira de uma proposta de valorização desse grupo. A gestão anunciou ainda o reajuste dos benefícios concedidos aos servidores a partir de abril deste ano. O vale-alimentação passará de R$ 1.950 para R$ 2.050. O vale-refeição será aumentado de R$ 45 para R$ 65 por dia, além do reajuste de 14,3% do auxílio-saúde (pagamento em maio de 2026). Sobre permanência estudantil, a USP diz que, em 2023, foi estabelecida uma política para dar suporte à permanência e a diferentes atividades de formação estudantil. Nesse contexto, incluíram-se as bolsas e auxílios de diferentes programas. Os alunos contemplados são selecionados a partir de um questionário, que considera, dentre seus parâmetros, as situações de vulnerabilidade socioeconômica. Entre 2023 e 2025, 41,7% dos contemplados eram originários de famílias com renda menor que meio salário mínimo paulista (R$ 1.804), afirma a USP. Em relação aos restaurantes universitários, a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento disse que equipes técnicas do serviço de alimentação estão realizando visitas às unidades para apurar as ocorrências relatadas pelos estudantes e as medidas administrativas estão sendo tomadas. Áudios obtidos pela Polícia Federal revelam negociações sobre valores e estratégias para movimentação de dinheiro suspeito no esquema. Investigação aponta uso de empresas, shows e apostas ilegais para lavar mais de R$ 1,6 bilhão. | 08:45 – 20/04/2026

Destaque

Gabrielzinho concorre ao Laureus de Melhor Atleta com Deficiência

O nadador mineiro Gabriel Araújo, o Gabrielzinho, concorre ao Prêmio Laureus de Melhor Atleta com Deficiência nesta segunda-feira (20). O prêmio será anunciado no Palácio de Cibeles, em Madri, na Espanha. O vencedor será escolhido por um painel especializado, com membros do Comitê Paralímpico Internacional (IPC). O nadador de 23 anos conquistou três ouros no Mundial de Singapura 2025, nas provas de 100 metros (m) costas, 200m livre e 50m costas, todas disputas pela classe S2 (comprometimento físico-motor). É dele também o recorde mundial dos 150m medley S2, obtido também em Singapura, com o tempo de 3min16s26. Atleta do Praia Clube, Gabrielzinho soma seis medalhas paralímpicas: três ouros conquistados em Paris 2024, e dois ouros e uma prata em Tóquio 2020. Concorrentes Ao lado do mineiro, concorrem ao prêmio outros cinco atletas, dois deles nadadores: o italiano Simone Barlaam, da classe S9 (limitações físico-motoras), e o tcheco David Kratochvíl, da classe S11 (deficiência visual).  Duas atletas do atletismo também foram indicadas: a suíça Catherine Debrunner, da classe T53/54 (cadeirantes), e a equatoriana Kiara Rodríguez, da classe T47 (deficiência nos membros superiores). Além deles, a norte-americana Kelsey DiClaudio, do hóquei em cadeira de rodas, também está entre os indicados. O Prêmio Laureus está em sua 26ª edição, e o ex-nadador paralímpico Daniel Dias já figurou no hall de campeões do que é considerado o “Oscar do Esporte”. A honraria foi concedida ao atleta em três ocasiões: 2009, 2013 e 2016. Agência Brasil

Política

Eleições 2026: AGU orienta agentes públicos sobre condutas proibidas

Agentes públicos não devem divulgar ou contribuir para a disseminação de notícias falsas, sob risco de serem punidos por abuso de poder político e econômico. Não podem usar bens ou serviços públicos para favorecer a qualquer candidatura. O que, no caso dos que ocupam cargos eletivos, inclui transformar eventos oficiais em atos de campanha, dos quais, aliás, só podem participar fora do horário de trabalho. As recomendações, como a obrigação de, no exercício da função pública, observar aos cinco princípios da administração pública – legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência -, constam da cartilha produzida pela Advocacia-Geral da União (AGU) para orientar agentes públicos e gestores sobre as práticas permitidas e proibidas durante o período eleitoral. “É permanentemente vedada a disseminação, o endosso ou o compartilhamento de informações sabidamente falsas, descontextualizadas ou não verificadas [fake news], bem como de conteúdos que promovam discurso de ódio, discriminação, incitação à violência, ataques pessoais, desqualificação moral ou afronta à dignidade de pessoas ou grupos”, alerta a publicação ao tratar do uso indevido das redes sociais e da disseminação de desinformação. “Em período eleitoral, a observância desses deveres deve ser redobrada, em razão do elevado potencial de impacto das manifestações públicas das autoridades sobre o debate democrático e sobre a confiança da sociedade nas instituições”, recomenda a AGU na cartilha. Mesmo que não configurem infração eleitoral, algumas condutas podem ser tipificadas como infração ética por implicarem um conflito entre o exercício da função pública e a promoção pessoal ou político-partidária da autoridade.  Daí a proibição ao uso da visibilidade, prestígio institucional ou prerrogativas de cargo público para autopromoção com finalidade político-eleitoral, ou para induzir os eleitores a confundirem realizações administrativas decorrentes da atuação institucional do Estado como mérito pessoal de determinado agente público. Segundo a AGU, a Cartilha Eleitoral: Condutas Vedadas aos Agentes Públicos Federais nas Eleições 2026 é “um instrumento de orientação prática, voltado a apoiar agentes públicos e gestores na tomada de decisões seguras no cotidiano administrativo no contexto eleitoral”. O documento é também uma contribuição para a prevenção de irregularidades e a conformidade das ações estatais, diz a AGU. Em sua 11ª edição, a cartilha detalha conceitos como abuso de poder e improbidade administrativa e as regras sobre propaganda, uso de bens públicos e gestão de recursos.  A cartilha contém um calendário orientativo sobre as principais datas do ano eleitoral e capítulos dedicados ao combate à desinformação no contexto eleitoral; o uso ético das redes sociais e a propaganda eleitoral na internet,  permitida só a partir de 16 de agosto. “Por tudo isso, espera-se que a cartilha contribua para uma atuação pública segura, responsável e comprometida com o interesse público durante este ano de 2026, fortalecendo as instituições e contribuindo com a lisura do processo eleitoral”, esclarece a AGU na apresentação da cartilha.  Agência Brasil

Mulheres de 40 a 49 anos lideram compra de canetas emagrecedoras no país
Brasil

Anvisa restringe emagrecedores manipulados e do Paraguai em meio a pressão política

Em medidas anunciadas nos últimos dias, a agência mirou produtos trazidos do Paraguai ou feitos fora dos padrões sanitários nas farmácias de manipulação. Trata-se de mercado paralelo ao dos medicamentos registrados pela Anvisa e conhecidos por marcas como Ozempic (semaglutida) e Mounjaro (tirzepatida). As canetas sem registro são mais baratas, mas a Anvisa afirma que tem identificado diversos casos de falsificação e de produtos com baixa qualidade. “Quando a população fica suscetível a produto sem registro da Anvisa, ela não tem aquela garantia da tríade básica que é o sustentáculo da agência: o produto é seguro, ou seja, dirime questões de riscos e efeitos adversos, tem qualidade, feito com boas práticas de fabricação e manipulação, e é eficaz, funciona para aquilo que está sendo anunciado”, afirma o presidente da Anvisa, Leandro Safatle. No último dia 6, a Anvisa anunciou que fará cobranças mais rígidas sobre a qualidade do ingrediente farmacêutico importado para farmácias de manipulação. A proposta deve ser votada no fim de abril e obriga que farmácias usem ingredientes de laboratórios que têm o CBPF (Certificado de Boas Práticas de Fabricação) da Anvisa, ou seja, que receberam algum tipo de inspeção do órgão brasileiro ou de agências parceiras. A agência ainda pretende reforçar a exigência de que a manipulação só pode ser feita após a apresentação da prescrição de cada paciente. Isso porque fiscalizações da Anvisa já localizaram produção em larga escala para venda em clínicas. A Polícia Federal investiga irregularidades em farmácias de manipulação. Os agentes apreenderam carros, avião, embalagens e remédios em operação realizada em novembro de 2025. Ainda cumpriram mandados em 12 estados no começo de abril. Depois da ação da PF, cinco entidades médicas pediram a proibição imediata e total da venda das canetas por farmácias de manipulação devido ao risco sanitário. A Anvisa, porém, afirma que a legislação sanitária permite a produção dos medicamentos em farmácias de manipulação. Diz ainda que está aperfeiçoando regras para garantir a segurança dos produtos. Veto aos emagrecedores do Paraguai Em outra frente, a Anvisa vetou no dia 14 o uso e venda de duas marcas do Paraguai, chamadas Gluconex e Tirzedral. Os modelos eram os únicos registrados no país vizinho que ainda não haviam sido barrados pela agência, ou seja, não é mais permitido importar os emagrecedores nem mesmo para uso pessoal. A venda dos produtos no Paraguai é impulsionada por influenciadores e ações de marketing. Empresas locais ainda fazem lançamentos luxuosos dos seus produtos. O laboratório paraguaio Catedral apresentou o Tirzedral no fim de março, em evento com show do cantor Zé Felipe e voltado ao público brasileiro –o nome foi “Noite Vermelha”. As canetas são medicamentos agonistas de GLP-1, hormônio produzido naturalmente pelo corpo humano e que atua no controle dos níveis de glicose no sangue e nos mecanismos de saciedade. Os medicamentos são indicados para obesidade e diabetes. O uso desenfreado das versões sem registro ou para fins estéticos preocupa entidades médicas. Mercado irregular O volume de canetas irregulares em circulação é incerto, mas dados oficiais sinalizam alta no consumo. A Receita Federal diz que apreendeu 32,8 mil unidades de emagrecedores em 2025 ante 2.700 no ano anterior. O órgão ainda afirma que localizou apenas em Viracopos (SP), desde janeiro, cerca de 1 tonelada de ingredientes irregulares. Os fiscais apreenderam frascos rotulados como retratutida, droga que ainda está em estudo pela Lilly, mesma fabricante do Mounjaro. Nos últimos seis meses ainda foram importados 130 kg de tirzepatida, suficientes para produção de 25 milhões de doses em farmácias de manipulação, segundo a Anvisa. Pressão política Os movimentos da agência são vistos no governo como necessários, mas delicados por causa das reações negativas dos consumidores. Ainda há temor de judicialização ou de que o tema entre na pauta do Congresso. O uso das canetas no SUS é cobrado por gestores locais. No Rio, o prefeito Eduardo Paes (PSD) lançou um programa com o Ozempic, em parceria com a fabricante Novo Nordisk. Já a Prefeitura de Urupês (SP) afirma que usará medicamentos de farmácias de manipulação e abriu uma licitação por produto contendo tirzepatida, sob protestos da fabricante Lilly. A compra fracassou e o governo municipal tentará credenciar farmácias como fornecedoras. Outro exemplo da sensibilidade do tema está nos comentários de uma publicação feita na quarta-feira (15) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), sobre risco das canetas falsificadas. Além de críticas sobre restringir o acesso a produtos sem registro feitas por diversas pessoas, o deputado Mario Heringer (PDT-MG) afirmou na publicação que a “solução” é ter “coragem” para quebrar a patente do Mounjaro, medida que é defendida pelo parlamentar em um projeto de lei. Ele é favorável a importação dos produtos do Paraguai. No ano passado, a disputa pelo mercado dos emagrecedores ganhou novo rumo com atuação direta do governo Lula (PT), que pediu para a Anvisa passar as canetas à frente na lista de análise de novos produtos. Auxiliares de Padilha avaliam que a pressão pelo acesso às drogas do Paraguai ou manipulados se reduzirá com o registro de novas marcas no Brasil. A Anvisa avalia 16 produtos contendo semaglutida, mesmo princípio ativo do Ozempic e que perdeu a patente no fim de março. Imunizante Arexvy, da GSK, antes restrita a idosos, agora pode ser aplicada em adultos com maior risco. Decisão não significa oferta imediata no SUS; incorporação no sistema público depende de avaliação do Ministério da Saúde | 05:05 – 16/04/2026

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