Pantanal News

Mato Grosso Do Sul

Chikungunya: Dourados decreta calamidade; vacinação começa segunda

O avanço da epidemia de chikungunya no município de Dourados (MS) fez com que a prefeitura decretasse situação de calamidade em saúde pública. Os casos, antes concentrados na Reserva Indígena de Dourados, são agora registrados também nos bairros da cidade. Em 20 de março, o prefeito Marçal Filho já havia editado decreto declarando situação de emergência em saúde pública no município. Uma semana depois, ele editou outro decreto, declarando situação de emergência em defesa civil nas áreas afetadas por casos de chikungunya. Em nota, a prefeitura informou que o terceiro decreto segue orientações do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), criado para coordenar o enfrentamento à epidemia na reserva indígena e no perímetro urbano do município. O comunicado cita ainda cenário epidemiológico crítico em Dourados, com elevado número de notificações de chikungunya, ultrapassando 6.186 casos prováveis, além de uma taxa de positividade para a doença de 64,9%. >> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp Segundo a nota, também foram levados em consideração dados do Departamento de Gestão do Complexo Regulador do município, que demonstram a extrapolação da capacidade instalada, com taxa de ocupação de leitos de internação em aproximadamente 110%, o que configura “impossibilidade de resposta assistencial oportuna até mesmo para casos graves”, afirma o comunicado O decreto de situação de calamidade em saúde pública tem validade de 90 dias. Vacinação A previsão é que a campanha de vacinação contra o chikungunya em Dourados comece na próxima segunda-feira (27). O primeiro caminhão com as doses chegou ao município na noite da última sexta-feira (17). Nesta quarta (22) e quinta-feira (23), a prefeitura vai trabalhar na capacitação de profissionais de enfermagem para esclarecer a população sobre restrições à vacina e para identificar eventuais comorbidades antes de aplicação da dose. Regras definidas pelo Ministério da Saúde preveem que apenas pessoas com mais de 18 anos e menos de 60 anos podem receber a vacina. A meta é vacinar pelo menos 27% da população-alvo, o que corresponde a cerca de 43 mil pessoas. A dose não pode ser aplicada nos seguintes casos: A vacina também não pode ser aplicada em pessoas que tenham tido chikungunya nos últimos 30 dias; que estejam em estado febril grave; que tenha recebido outra vacina de vírus atenuado nos últimos 28 dias; e/ou que tenham recebido vacina de vírus inativado nos últimos 14 dias. A expectativa da prefeitura é que a imunização aconteça de forma mais lenta, já que, antes de receber a dose, o público-alvo precisa passar por avaliação do profissional de saúde. Na sexta-feira (24), os imunizantes serão distribuídos para todas as salas de vacinação do município, incluindo as unidades da saúde indígena. O calendário prevê ainda uma ação de vacinação no formato drive-thru no feriado de 1º de maio, Dia do Trabalho, no período das 8h às 12h, no pátio da prefeitura de Dourados. Aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em abril de 2025, a vacina contra a chikungunya começa a ser administrada de forma estratégica em regiões de potencial risco de transmissão da doença ao longo dos próximos anos. Cerca de 20 municípios, de seis estados, devem ser contemplados. “A seleção dos municípios considerou desde fatores epidemiológicos, relacionados à potencial ocorrência de casos de chikungunya em regiões onde o vírus já está circulando, até o tamanho populacional dos municípios e a facilidade operacional de se implementar uma nova vacina no sistema local de saúde em um curto prazo”, informou a prefeitura. Números Até a última segunda-feira (20), Dourados registrava 4.972 casos prováveis da doença, sendo 2.074 casos confirmados, além de 1.212 casos descartados e outros 2.900 casos em investigação. Até o momento, foram confirmadas oito mortes em razão de complicações por chikungunya, sendo sete em moradores da reserva indígena. Repasse federal No fim de março, o Ministério da Saúde liberou aporte emergencial de R$ 900 mil para ações de vigilância, assistência e controle do chikungunya em Dourados. Em nota, a pasta informou que o valor será transferido em parcela única, do Fundo Nacional de Saúde (FNS) ao fundo municipal. “Os recursos poderão ser utilizados para intensificar estratégias como vigilância em saúde, controle do mosquito Aedes aegypti, qualificação da assistência e apoio às equipes que atuam diretamente no atendimento à população”, informou a pasta à época. Sobre a chikungunya A chikungunya é uma arbovirose cujo agente etiológico é transmitido pela picada de fêmeas infectadas do gênero Aedes. No Brasil, até o momento, o vetor envolvido na transmissão é o Aedes aegypti. O vírus foi introduzido no continente americano em 2013 e foi responsável por uma epidemia em diversos países da América Central e nas ilhas do Caribe. No segundo semestre de 2014, o Brasil confirmou, por métodos laboratoriais, a presença da doença nos estados do Amapá e da Bahia. Atualmente, todos os estados registram transmissão do arbovírus. Em 2023, o ministério cita uma importante dispersão territorial do vírus no país, principalmente em estados da Região Sudeste. Anteriormente, as maiores incidências de chikungunya concentravam-se no Nordeste. As principais características clínicas da infecção são edema e dor articular incapacitante, mas também podem ocorrer manifestações extra articulares. Casos graves de chikungunya podem demandar internação hospitalar e evoluir para óbito. Fonte; Agência Brasil

Fies 2026: pré-selecionados têm quarta para completar cadastro
Brasil

Inscrições para vagas remanescentes do Fies vão até 29 de abril

Estão abertas as inscrições para o processo seletivo das vagas remanescentes do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) referente ao primeiro semestre de 2026. O prazo começou nesta quarta-feira (22) e segue até o dia 29 de abril. A inscrição é gratuita e deve ser feita na página do programa no Portal Único de Acesso ao Ensino Superior do Ministério da Educação (MEC). O edital com as regras foi publicado pelo MEC no dia 6 de abril. O resultado será divulgado no dia 7 de maio. Nos dias 8 a 11 de maio, os pré-selecionados deverão validar as informações na própria instituição de ensino superior para a qual se candidataram, por meio da entrega física ou digital da documentação exigida. O Fies tem chamada única e lista de espera. Os estudantes que não forem pré-selecionados estarão automaticamente na lista de espera para preenchimento das vagas não ocupadas, observada a ordem de classificação. A pré-seleção da lista de espera ocorrerá de 15 a 29 de maio. Fies Com o objetivo de promover a inclusão educacional, o programa federal financia, desde 2001, a graduação em instituições de educação superior privadas com avaliação positiva no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes). São dois processos seletivos regulares, um para o primeiro semestre e outro para o segundo semestre do ano letivo, além de seleções para vagas remanescentes. Requisitos Os candidatos em obter o financiamento estudantil devem atender aos seguintes requisitos: Participação em uma das edições do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a partir de 2010; Média aritmética das notas nas cinco provas igual ou superior a 450 pontos; Nota na redação superior a zero; Renda familiar mensal bruta por pessoa de até três salários mínimos; Condições de atingir a frequência mínima exigida para o primeiro semestre de 2026 no curso escolhido, que é de 70% de presença. A classificação no processo seletivo do Fies seguirá a ordem decrescente das notas obtidas pelos candidatos no Enem, com prioridade para os candidatos que não concluíram o ensino superior e/ou não foram beneficiados pelo financiamento estudantil. É vedada a concessão de novo financiamento do Fies a candidatos que não tenham quitado o financiamento anterior pelo Fies ou pelo Programa de Crédito Educacional ou que estejam em período de utilização do financiamento. Cotas O edital do processo seletivo reserva 50% das vagas para o Fies Social, lançado em 2024 para reforçar o papel social do financiamento estudantil. Para concorrer, os candidatos devem ter inscrição ativa no Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal (CadÚnico) e renda familiar por pessoa de até meio salário mínimo. A modalidade lançada pelo MEC permite financiamento de até 100% dos encargos educacionais cobrados pela instituição de ensino superior. Também há cotas para pretos, pardos, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência, em proporção à população desses grupos em cada estado. Essa reserva aplica-se tanto no Fies como no Fies Social. Leia Também: Anvisa aprova Mounjaro para crianças e adolescentes com diabetes tipo 2

Anvisa aprova Mounjaro para crianças e adolescentes com diabetes tipo 2
Brasil

Anvisa aprova Mounjaro para crianças e adolescentes com diabetes tipo 2

A IDF (Federação Internacional de Diabetes) publicou, em 2021, um estudo que estima em 1,1 milhão o número de adolescentes (14 a 19 anos) que vivem com diabetes tipo 2. No Brasil, um estudo de 2019 publicado na revista Pediatric Diabetes estimou que cerca de 213 mil adolescentes vivam com a condição. Segundo a Lilly do Brasil, fabricante do Mounjaro e detentora da patente da tirzepatida, a aprovação da Anvisa é baseada nos resultados de um estudo clínico publicado em setembro de 2025 na revista The Lancet. O ensaio, feito com jovens de 10 a 17 anos, mostra que o medicamento reduziu a hemoglobina glicada -marcador do controle do açúcar no sangue- em 30 semanas (2,2 pontos percentuais, em média). O estudo também apontou baixas taxas de descontinuação por efeitos adversos, sendo que os mais frequentes foram sintomas gastrointestinais como náusea, diarreia e vômito. Outros medicamentos aprovados para o tratamento de diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes são Victoza e Lirux (liraglutida), a partir dos 10 anos de idade; e Saxenda, Olire (liraglutida), Wegovy e Poviztra (semaglutida), a partir dos 12 anos. Dados do SNGPC (Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados) obtidos pela Folha de S.Paulo mostram que, em janeiro de 2026, foram vendidas 3.385 caixas de medicamentos análogos de GLP-1 prescritos para crianças e adolescentes até 18 anos. O número é pequeno na comparação com a venda total no mesmo período (443.815 caixas), mas dá pistas sobre o acesso da população dessa faixa etária a esse tipo de medicamento. Essa base de dados ligada à Anvisa, que é preenchida por farmácias privadas com informações sobre as vendas de remédios controlados, mostra também que 2.542 caixas desses medicamentos foram vendidas fora da idade recomendada pelos fabricantes -incluindo o Mounjaro, que teve 1.240 caixas vendidas para pessoas menores de 18 anos em janeiro. O diagnóstico de diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes pode estar associado à obesidade infantil, que atinge 38% dos brasileiros de 5 a 19 anos, segundo a Federação Mundial de Obesidade. Essa nova aprovação do Mounjaro, no entanto, se restringe ao tratamento do diabetes tipo 2. Para controle do peso em menores de 18 anos o medicamento segue sem indicação em bula, e a Eli Lilly afirma não incentivar o uso off label. Fábio Trujillo, presidente da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica) e coordenador do Departamento de Obesidade da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), afirma que, para crianças menores de 12 anos, a prescrição off-label pode ocorrer em situações muito específicas e de forma extremamente cuidadosa, já que as evidências científicas são limitadas. O médico ressalta que toda automedicação (sem acompanhamento médico) traz riscos, neste caso com efeitos adversos como problemas gastrointestinais e desnutrição -que pode levar a um déficit de crescimento- até complicações raras como pancreatite ou colecistite. Trujillo reafirma que o tratamento deve ter acompanhamento transdisciplinar, com médico, nutricionista, psicólogo e educador físico. Outra preocupação está no fato de que esses medicamentos podem levar a uma digestão inadequada de nutrientes, influenciando a produção de hormônios e, assim, podendo desregular menstruação e ovulação. Impactos hormonais podem, ainda, causar um quadro de má formação óssea, aumentando o risco de osteoporose precoce. “Todo esse impacto hormonal também pode influenciar o humor e o comportamento da criança”, afirma. “Mas, até o momento, não há sinal de forte prejuízo tanto no crescimento como no desenvolvimento sexual desde que essa criança ou esse adolescente seja bem acompanhado e tenha indicação correta.” Leia Também: Vulcão pode ter sido primeiro local avistado durante ‘descoberta’ do Brasil

Saúde

Anvisa atualiza limites de cúrcuma em suplementos alimentares

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) atualizou nesta quarta-feira (22) as regras para suplementos alimentares com cúrcuma, também conhecida como açafrão. Publicada no Diário Oficial da União, a instrução normativa ajusta os limites de uso da substância e aprimora rótulos, para proteger consumidores de riscos à saúde. Em nota, a Anvisa informou que a atualização foi motivada após a identificação, no cenário do monitoramento pós-mercado, de possível risco de danos ao fígado associado ao uso de suplementos e medicamentos com cúrcuma.  Em março, a agência chegou a publicar um alerta de farmacovigilância, para advertir pessoas que fazem uso dos produtos a respeito dos riscos. O alerta se baseou em avaliações internacionais que identificaram casos suspeitos de intoxicação hepática em pessoas que utilizaram produtos com cúrcuma ou curcuminoides. “O problema está associado especialmente a formulações e tecnologias que promovem um aumento na absorção da curcumina em níveis muito acima do consumo normal”, destacou a Anvisa.>> Siga o canal da Agência Brasil no Confira as três principais atualizações Inclusão obrigatória da seguinte advertência na rotulagem dos suplementos: “Este produto não deve ser consumido por gestantes, lactantes, crianças, pessoas com doenças hepáticas, biliares ou com úlceras gástricas. Pessoas com enfermidades e/ou sob o uso de medicamentos, consulte seu médico.” Os limites de consumo da curcumina devem ser calculados pela soma de seus três principais componentes (curcuminoides totais). Inclusão dos tetraidrocurcuminoides na lista de ingredientes permitidos, com restrição de mistura desse novo componente com o extrato natural da planta no mesmo produto, para evitar sobrecarga da substância no organismo. FONTE: AGENCIA BRASIL

SES orienta população sobre riscos em exames de vista realizados fora das normas sanitárias
Saúde

SES orienta população sobre riscos em exames de vista realizados fora das normas sanitárias

Irregularidades podem resultar em diagnósticos imprecisos e prejuízos à saúde ocular Em meio à rotina cada vez mais acelerada e à busca por soluções rápidas e acessíveis, a realização de exames de vista fora de ambientes adequados tem se tornado uma prática comum e preocupante. Diante disso, a SES (Secretaria de Estado de Saúde), por meio da coordenadoria de Vigilância Sanitária, emitiu um alerta à população sobre práticas irregulares na oferta de atendimentos oftalmológicos em Mato Grosso do Sul. O comunicado destaca o risco de prescrição incorreta de grau, especialmente quando o exame está atrelado à venda de lentes e armações. Segundo a Vigilância Sanitária, a oferta de exames de vista, muitas vezes gratuitos ou com preços reduzidos, vinculada diretamente à comercialização de produtos ópticos pode comprometer a qualidade do atendimento e trazer prejuízos à saúde visual. Entre as principais irregularidades identificadas estão a inadequação técnica dos serviços prestados. Isso inclui locais sem estrutura apropriada, uso de equipamentos fora dos padrões exigidos e atuação de profissionais que não atendem aos critérios estabelecidos pela legislação sanitária. Esse conjunto de falhas compromete a qualidade do atendimento e pode resultar em diagnósticos imprecisos. De acordo com o gerente de Apoio aos Municípios da Vigilância Sanitária, Matheus Pirolo, é fundamental que a população esteja atenta à forma como esses serviços são ofertados. “Quando o exame de vista está condicionado à venda de óculos, existe um claro conflito de interesses, que pode comprometer a qualidade da avaliação e levar a prescrições incorretas. A recomendação é sempre buscar serviços regularizados, que garantam uma avaliação técnica adequada e segura”, afirma. Outro ponto de preocupação é o possível agravamento de doenças oculares. Atendimentos realizados sem o devido rigor técnico podem não identificar problemas existentes ou até contribuir para o surgimento de novas condições, impactando diretamente a saúde do paciente. A SES reforça que a atuação das Vigilâncias Sanitárias, tanto no âmbito estadual quanto municipal, tem como objetivo garantir que os serviços ofertados sejam seguros, eficazes e estejam em conformidade com as normas vigentes. A fiscalização também busca proteger os direitos do consumidor, coibindo práticas abusivas e enganosas. Fiscalização e denúncia A oferta desses serviços, seja em mutirões ou em estabelecimentos comerciais, está sendo monitorada pelos órgãos de fiscalização, e a participação da população é considerada essencial para coibir irregularidades. Caso identifique situações em que exames de vista estejam atrelados à compra de óculos, o cidadão pode registrar denúncia de forma anônima pelos canais oficiais da SES: A Secretaria orienta que a população procure sempre serviços de saúde devidamente regularizados e alinhados às normas sanitárias, garantindo um atendimento seguro, responsável e de qualidade. Kamilla Ratier, Comunicação SESFotos: Divulgação SES Fonte: Secom Mato Grosso do Sul

Vulcão pode ter sido primeiro local avistado durante
Brasil

Vulcão pode ter sido primeiro local avistado durante ‘descoberta’ do Brasil

Localizado a cerca de 140 km da costa do Rio Grande do Norte, no extremo Nordeste do país, o pico do Cabugi é o único dos vários vulcões inativos que mantém sua forma intacta e seu nome se tornou mais conhecido no país atualmente por conta dessa reivindicação histórica. O primeiro a levantar essa hipótese foi o pesquisador Lenine Barros Pinto, que publicou em 2012 o livro “Reinvenção do Descobrimento”, no qual afirma que Cabugi é o Monte Pascoal e que o município vizinho de Touros corresponde à cidade de Porto Seguro. Apesar das teorias que indicam que o português Duarte Pacheco Pereira avistou, sem tocar terra, o que hoje é o Brasil em 1498, e o espanhol Vicente Yáñez Pinzón teria chegado à costa de Pernambuco em 26 de janeiro de 1500, o descobrimento é atribuído a Pedro Álvares Cabral em 22 de abril daquele mesmo ano. Pedro Álvares Cabral era um dos comandantes da expedição portuguesa que buscava uma rota diferente para chegar à Índia, circundando o continente africano, e, de acordo com os relatos históricos, avistou primeiro o Monte Pascoal e depois desembarcou na região de Porto Seguro. Pinto e outros pesquisadores também se basearam em uma expedição conjunta realizada entre os governos de Brasil e Portugal para a celebração dos 500 anos do descobrimento, no qual os navegantes utilizaram a rota, condições e equipamentos similares aos empregados por Pedro Álvares Cabral. Para chegar em 22 de abril de 2000 à Bahia, a expedição precisou de mais potência, pois, nas mesmas condições de 1500, só conseguiriam chegar a solo brasileiro, naquela data, na cidade de Touros. Com coordenadas de 5° 42′ 22″ S 36° 19′ 15″ O e altitude de 590 metros, o pico do Cabugi, cujo nome significa “peito de moça” em tupi-guarani, também é chamado de Serrote da Itaretama, que nessa mesma língua indígena se traduz como “serra de muitas pedras”. O pico faz parte do Parque Ecológico Cabugi, uma extensa área de preservação monitorada pelo governo estadual e que conta cada vez mais com turistas, nacionais e estrangeiros, que buscam uma opção de aventura diferente da oferecida pelas praias paradisíacas da região. Leia Também: Alerta: onda de calor extrema atinge 4 estados e eleva risco à saude

Internacional

Estão bem brasileiras feridas a tiros nas pirâmides do México

As duas brasileiras que ficaram feridas após ataque a tiros nas pirâmides mexicanas de Teotihuacan já estão bem, segundo o Itamaraty. Uma mulher canadense morreu e o atirador tirou a própria vida na sequência na segunda-feira (20). A adolescente brasileira de 13 anos recebeu assistência médica, já foi liberada e está com a família. A outra brasileira, uma mulher de 55 anos, segue internada, mas sem risco de morte. As autoridades de segurança mexicanas disseram que 13 pessoas ficaram feridas no incidente. Não ficou imediatamente claro quantas foram baleadas. Uma testemunha, que pediu anonimato, disse à Reuters que um menino foi baleado na perna. Promotores locais disseram em um post no X que o atirador era Julio Cesar Jasso Ramirez, um cidadão mexicano. O tiroteio começou pouco depois das 11 horas da manhã na Pirâmide da Lua, uma das estruturas mais proeminentes do local fora da Cidade do México, de acordo com a testemunha, que tinha acabado de descer do mezanino do templo quando ouviu “estalos” e viu uma debandada de visitantes. >> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp O atirador permaneceu no topo do mezanino, disse a testemunha, acrescentando que ele parecia disparar a maioria dos tiros para o ar, em vez de diretamente contra as pessoas, enquanto carregava um tablet e gritava. Os espectadores, incluindo alguns com treinamento médico, prestaram os primeiros socorros aos feridos, usando garrafas de água e panos limpos para diminuir o sangramento até a chegada dos paramédicos, acrescentou a testemunha. As autoridades de segurança disseram que alguns dos feridos foram levados a hospitais, incluindo três colombianos, um deles uma criança de 6 anos, além de cidadãos norte-americanos, russos e brasileiros. Um segundo canadense também foi ferido no ataque, de acordo com uma postagem no X da ministra das Relações Exteriores do Canadá, Anita Anand. A presidente Claudia Sheinbaum disse em uma postagem na rede social: “O que aconteceu hoje em Teotihuacan nos causa profunda dor. Expresso minhas mais profundas condolências às pessoas afetadas e suas famílias”. O tiroteio deve aumentar o escrutínio da segurança do México nos principais locais turísticos e culturais, já que o país se prepara para sediar a Copa do Mundo da Fifa 2026 ao lado dos Estados Unidos (EUA) e do Canadá. Espera-se que o evento atraia milhões de visitantes do exterior. A cidade pré-hispânica de Teotihuacan foi um dos centros culturais mais importantes da Mesoamérica e é um dos locais turísticos mais populares do México, recebendo 1,8 milhão de visitantes no ano passado. Embora o México tenha muitos incidentes de tiroteio devido à atividade dos cartéis, a violência em atrações turísticas é rara. *Com informações da Reuters.   FONTE: AGENCIA BRASIL

Mais de 5 milhões de consultas online marcam primeiro ano do Portal Meu Detran de Mato Grosso do Sul
Economia

Mais de 5 milhões de consultas online marcam primeiro ano do Portal Meu Detran de Mato Grosso do Sul

O Portal de Serviços Meu Detran completa um ano de funcionamento com resultados que mostram uma mudança real na forma de acesso aos serviços do Detran-MS. Em apenas 12 meses, a plataforma alcançou 776.251 usuários, um crescimento de 59% em relação a todo o período do portal antigo, que registrou 488 mil usuários em mais de quatro anos. Mais do que o aumento no número de acessos, o destaque está na forma como os serviços digitais passaram a ser oferecidos e a fazer parte da rotina do cidadão, garantindo mais praticidade, agilidade e autonomia. A consulta de débitos de veículos lidera como o serviço mais utilizado, com mais de 5,4 milhões de acessos no primeiro ano. A funcionalidade permite que o cidadão verifique sua situação de forma rápida e segura, sem precisar sair de casa. Outro serviço com alta demanda é a emissão de guias de pagamento, que ultrapassou a marca de 1,3 milhão de documentos emitidos.  O agendamento de atendimentos presenciais também se consolidou no ambiente digital. Foram 100.997 agendamentos realizados, sendo 89,2% feitos diretamente pelo portal, o que ajuda a reduzir filas e organizar melhor o atendimento nas unidades. Na área de habilitação, a digitalização do processo de renovação da CNH permitiu que mais de 50 mil condutores iniciassem o serviço de forma online, representando 82,6% das renovações no período. O portal também trouxe mais facilidade para a atualização de dados cadastrais, com mais de 30 mil alterações realizadas no primeiro ano, entre mudanças de endereço de condutores e também de veículos. Para o diretor de Tecnologia da Informação do Detran-MS, Robson Lui, os resultados refletem o compromisso com a melhoria contínua dos serviços digitais. “Seguimos aprimorando as ferramentas para que cada vez mais serviços sejam integrados de forma simples e resolutiva para o cidadão”, destaca. Os números refletem não apenas o avanço tecnológico, mas uma mudança no relacionamento com o cidadão, que passa a contar com serviços mais acessíveis, rápidos e eficientes no dia a dia.  Vale destacar que o novo formato do Portal Meu Detran foi desenvolvido a partir de referências internacionais de serviços públicos digitais, fortalecidas por meio de Acordo de Cooperação Técnica com o Estonia Hub. A iniciativa reforça o compromisso do Governo do Estado e do Detran-MS com a modernização dos serviços, além de posicionar a plataforma como a primeira do Estado a adotar um conceito centrado na experiência do cidadão. A ferramenta foi desenvolvida em parceria com a Secretaria Executiva de Transformação Digital (Setdig) e coloca o cidadão como protagonista no acesso aos serviços públicos. A plataforma também conta com dupla camada de segurança e acesso exclusivo para pessoas físicas mediante login, garantindo mais proteção e confiabilidade. A iniciativa atende os pilares verde e digital que norteiam a gestão estadual.  Meses após o lançamento do Portal Meu Detran, o Detran-MS ampliou sua estratégia digital com o aplicativo Meu Detran MS e a atendente virtual Glória, disponível pelo WhatsApp no número (67) 3368-0500, consolidando um ecossistema de serviços cada vez mais acessível, ágil e centrado nas necessidades do cidadão. Mireli Obando, Comunicação Detran-MSFotos: Rachid Waqued Fonte: Secom Mato Grosso do Sul

Internacional

Por mais turismo e comércio, Brasil quer voo mais curto para o Senegal

O governo brasileiro trabalha para diminuir o tempo de voo entre o país e a capital do Senegal, Catar, na Costa Oeste da África. A medida beneficiaria o comércio e o turismo entre as duas nações e também vizinhos. Atualmente, não há voos diretos para brasileiros e senegaleses e, algumas vezes, é preciso ir para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, antes de desembarcar em Dacar, aumentando consideravelmente o tempo de deslocamento. Outra opção são hubs (pontos de distribuição de voos) em aeroportos europeus ou em cidades africanas mais afastadas da América do Sul. Em uma linha reta, 2,9 mil quilômetros (km) separam Natal, no Rio Grande do Norte, do Senegal. Já a distância da capital potiguar para Lisboa é quase o dobro. Para Dubai, quase quatro vezes mais longe. A informação de que o Brasil quer diminuir a duração do voo para o Senegal foi dada à Agência Brasil pela embaixadora do país sul-americano no Senegal, Daniella Xavier. “Temos que continuar a trabalhar nesse sentido, pois não é lógico que tenhamos que ir à Europa para vencer menos de 3 mil km! Imaginem a redução dos tempos de voo e nos custos também em benefício dos demais países da África Ocidental, da América Latina e do Caribe”, disse. A embaixadora participou do Fórum Internacional de Dacar sobre a Paz e Segurança na África, sediado na cidade de quase 4 milhões de habitantes na segunda (20) e na terça-feira (21). Interromper círculo vicioso Para a diplomata, é preciso romper um círculo vicioso: “o comércio e o turismo não têm escala por falta de conexões; e as conexões não se fazem por falta de escala”. Daniella Xavier informou que se reuniu recentemente com o ministro das Infraestruturas e dos Transportes de Senegal, Yankhoba Diémé, e com a direção da companhia aérea estatal senegalesa Air Senegal. A embaixadora disse ser preciso fomentar entendimentos entre empresas brasileiras – no país, todas privadas – e a Air Senegal ou até mesmo de países africanos, como Marrocos, Etiópia e Turquia, para que desenvolvam cooperação de codeshare, quando uma empresa vende passagens para os voos da outra e vice-versa. Laços históricos Ao ressaltar o que classifica como “excelente relação” entre os dois países, Daniella Xavier lembrou que o Senegal, que se tornou independente da França no início da década de 1960, têm laços históricos e profundos com o Brasil, sendo a raiz disso o tráfico de escravizados. Fica no Senegal a Ilha de Gorée, ponto importante de tráfico de negros para as Américas.  A embaixada brasileira foi aberta em Dacar em 1961. Dois anos depois, houve a reciprocidade. A representação diplomática do Senegal em Brasília é a única do país africano na América do Sul. Comércio Em 2025, o comércio entre Brasil e Senegal, país de quase 19 milhões de habitantes, alcançou US$ 386,1 milhões, com saldo de US$ 370,8 milhões para o Brasil, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. A interpretação desses números é que vendemos muito mais do que importamos. “O Senegal ainda exporta pouco para o Brasil. Poderia, por exemplo, investir na exportação de amendoim e derivados das flores do nenúfar (lírios-d’água), como produtos gourmet, assim como tecidos, produtos artesanais, entre outros”, avalia a embaixadora. Ela disse à Agência Brasil que o comércio entre os países tem tendência de aumento e que trabalha para expandir investimentos. No ano passado, uma missão levou 50 empresários brasileiros ao Senegal. Indústria genética agrícola Um investimento, cita ela, foi o anúncio, em outubro do ano passado, da criação da primeira indústria de genética agrícola no Senegal, com objetivo e produzir 30 milhões de ovos e 400 mil aves reprodutoras. O investimento inicial será de US$ 20 milhões. A iniciativa é da empresa brasileira West Aves em parcerias com os africanos. A estimativa é a criação de 300 empregos diretos e 1 mil indiretos, além de transferência de tecnologia para o Senegal. “Caso bem sucedido, o projeto poderá permitir a autossuficiência total do país na produção de aves e a redução de 20% de seus custos para o consumidor final”, sustenta. Há ainda entendimentos que tratam de o Brasil levar para o Senegal tecnologias na área da agropecuária, programa de merenda escolar e defesa. Multilateralismo Para a representante brasileira, a relação entre os países ganhou dinamismo. “Diante de um cenário internacional conturbado, é preciso ampliar a coordenação política entre países que coincidem em grande parte em suas posições multilaterais e encontrar alternativas comercias”, conclui. Quando se fala de interesses multilaterais, um dos exemplos concretos é a defesa de reformas em organismos internacionais. Uma delas no Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU), pleito antigo do Brasil e de africanos. Atualmente, apenas cinco países têm presença permanente no conselho e poder de veto (Rússia, Estados Unidos, China, Reiuno Unido e França), nenhum deles da América do Sul ou da África. Entre as funções do CS estão a imposição de sanções internacionais e permitir intervenção militar. >>Ao lado do Brasil, Senegal persegue protagonismo no Sul Global Visão de Senegal Também presente no Fórum Internacional de Dacar sobre a Paz e Segurança na África, a embaixadora do Senegal no Brasil, Marie Gnama Bassene, enfatizou que o seu país assume um papel importante na construção da confiança, no fortalecimento da cooperação e na prevenção de conflitos por meio do diálogo, “com o objetivo de promover e defender a paz em sua região e em nível continental”. Ao contextualizar que o Senegal tem “longa tradição de contribuições eficazes” para as operações de paz da ONU e da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao), que reúne 12 países, Marie Gnama Bassene associou o país africano a uma tradição do Brasil. “Ao observar a situação do Brasil e suas relações com seus vizinhos na América do Sul, não posso deixar de perceber muitas semelhanças com o Senegal”, disse à Agência Brasil. “Nossos dois países compartilham o mesmo compromisso com o multilateralismo, a diplomacia, a paz e a segurança, bem como a prevenção e a resolução pacífica

Violência levou ao menos 900 mulheres por dia a unidades de saúde no país em 2025
Brasil

Violência levou ao menos 900 mulheres por dia a unidades de saúde no país em 2025

Os profissionais de saúde são obrigados por lei a notificar todos os atendimentos advindos de violência interpessoal -quando há uso intencional de força ou poder em interações diretas. A regra também vale para homens e outros grupos minoritários, como pessoas com deficiência e pessoas LGBTQIA+. Entre 2015 e 2025, as vítimas eram mulheres em 71% das notificações de violência interpessoal, que inclui violência física, psicológica e sexual. Unidades de saúde públicas e privadas identificaram um total de 2,3 milhões de casos no período. Os registros têm um perfil majoritário: são mulheres entre 20 e 49 anos, negras (pardas e pretas), que encerraram os estudos antes de completar o ensino médio, e foram agredidas pelo parceiro ou ex-parceiro íntimo dentro de casa. Também é provável que elas já tenham passado por atendimento médico devido à violência antes. Os dados são diferentes daqueles divulgados pela segurança pública, que acessa boletins de ocorrência. Nos atendimentos médicos, as mulheres adultas não são obrigadas a denunciar a violência sofrida, apesar de as relatarem aos profissionais de saúde. Além disso, não são todas as vítimas que procuram atendimento médico, explica a pesquisadora Camila Alves, especialista em violência e saúde da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz. A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo Senado e publicada no último ano, estima que apenas 34% das mulheres buscaram algum tipo de assistência à saúde. Alves afirma ainda que o crescimento nas notificações de violência pelo SUS (Sistema Único de Saúde) não significam exatamente um aumento nos casos, mas a melhora na captação deles pelos profissionais de saúde. As notificações das unidades de saúde, porém, convergem com o perfil apontado em dados de feminicídio. Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública publicado em março mostra que, entre 2015 e 2025, as vítimas do crime no país eram majoritariamente adultas, entre 30 e 49 anos, negras, foram agredidas pelo parceiro ou ex-parceiro íntimo dentro de casa e já haviam sofrido violência antes. “A violência não é um evento isolado. A violência por parceiro íntimo, muitas vezes, é sequencial. E o que a gente chama atenção é que isso pode ter uma escalada em termos de gravidade. Começa com a violência psicológica, mas pode evoluir até mesmo para a morte”, diz a pesquisadora Deborah Carvalho Malta, professora da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e doutora em saúde coletiva associada à Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva). Cinquenta e três por cento das meninas e mulheres que procuraram atendimento médico devido à violência nos últimos dez anos já haviam sido atendidas antes pelo mesmo motivo, segundo os dados declarados no Sinan. A porcentagem exclui a subnotificação, ou seja, informação ignorada ou em branco. Dados preliminares de uma análise que está sendo feita por Malta, em conjunto com outras pesquisadoras, mostram que parte significativa das mulheres com mais de uma notificação de violência tiveram os casos encerrados em óbito. O objetivo do sistema de saúde, diz Malta, é tentar impedir que a violência chegue ao feminicídio. Há 25 anos, o Ministério da Saúde reconheceu formalmente que a violência é um problema de saúde pública. A medida estabeleceu que o setor, para além de tratar ferimentos, deve monitorar casos, capacitar profissionais e tentar impedir que a violência se repita. Na prática, quando um profissional identifica uma situação de violência, a notificação aciona uma cadeia de proteção com encaminhamento para assistência social, orientação sobre medidas protetivas e conexão com outros serviços. No caso de mulheres adultas, a informação não é repassada automaticamente à polícia, mas elas recebem auxílio para fazer a denúncia. “A gente não notifica para a rede policial porque, se o profissional de saúde faz isso sem a concordância da mulher, ele pode colocá-la em risco”, explica Malta. O objetivo, diz ela, é empoderar a vítima para que tome a decisão. A gente não notifica para a rede policial porque, se o profissional de saúde faz isso sem a concordância da mulher, ele pode colocá-la em riscopesquisadora, professora da UFMG e doutora em saúde coletiva associada à Abrasco O sistema de saúde também alcança casos que raramente chegam a uma delegacia, como violência psicológica, moral e patrimonial, diz Malta, e tende a ser um ambiente mais acolhedor. “A saúde é uma grande porta de entrada. Muitas vezes essas mulheres não procuram a segurança pública. Muitas vezes as lesões nem são físicas”, diz Malta. Além disso, pelo contato direto com mulheres, médicos podem também identificar histórico violência que não são relatados, diz Lia Cruz Vaz da Costa Damásio, médica associada à Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia). Segundo ela, queixas como dor pélvica crônica, dor na relação sexual e vaginismo têm, com frequência, histórico de abuso. “Por estar ligado intimamente à saúde da mulher, o ginecologista pode ser um pilar de escuta, orientação, acolhimento e prevenção”, diz. Damásio aponta, porém, lacunas estruturais no atendimento. No Brasil, apenas cerca de 40 hospitais públicos são cadastrados para atender vítimas de violência sexual com protocolo completo, incluindo profilaxias e, nos casos previstos em lei, interrupção da gestação. “A mulher que sofre violência também sofre para encontrar o local que vá ter tudo que ela eventualmente precise”, diz. Os efeitos da violência se prolongam além do momento da agressão, diz Malta. Vítimas na infância carregam consequências psicológicas e físicas para o resto da vida e voltam ao sistema de saúde repetidas vezes por causa disso. “Uma vítima de violência na infância tem consequências para o resto da vida. Muitas vezes essas lesões são incapacitantes e podem até resultar em morte”, diz. Um estudo publicado na revista The Lancet em 2025 mostrou que a violência por parceiro íntimo é o quarto maior fator de risco à morte prematura e invalidez de mulheres entre 15 e 49 anos no mundo. No Brasil, ocupa o terceiro lugar. A violência sexual na infância aparece em segundo. O problema da violência contra a mulher, diz Malta, é complexo e deve ser abordado de forma intersetorial. “A gênese da violência tem toda uma questão cultural

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