São Paulo encabeça a lista, com 86 confirmações -66% do total. Em seguida aparecem Rio de Janeiro (19), Roraima (10), Minas Gerais (7), Rio Grande do Norte (3), Rio Grande do Sul (3) e Paraná (2). Sergipe, Santa Catarina, Paraíba, Goiás, Ceará e Distrito Federal têm 1 caso cada. O número de casos mais que dobrou entre a segunda quinzena de fevereiro e a última quinta-feira. Além das confirmações, há 570 casos sob investigação, e 7 classificados como prováveis. O país ainda não registrou óbitos pela doença neste ano. Em 2025, foram contabilizados 1.079 casos e dois óbitos. Segundo o Ministério da Saúde, o cenário atual de mpox no Brasil não indica uma situação de crise e o SUS (Sistema Único de Saúde) está preparado para o diagnóstico, tratamento e monitoramento dos casos, com investigação epidemiológica e rastreamento de contatos. A doença, causada pelo vírus mpox, anteriormente conhecido como vírus da varíola dos macacos (monkeypox, em inglês), causa febre, dor de cabeça, dor no corpo, cansaço e aumento dos linfonodos -este último, que causa pequenos inchaços em algumas regiões do corpo. Se evoluir para a chamada fase eruptiva, surgem também lesões na pele que podem ocorrer na face, região genital, perianal, palmas de mão e do pé e mucosa. Especialistas reforçam importância do diagnóstico precoce e do isolamento domiciliar Rafael Damas | 11h00 – 02/03/2026
Em nota, a Inframérica, administradora do Aeroporto de Brasília, informou que o plano de contingência do terminal foi acionado e que todos os passageiros foram desembarcados. Segundo a concessionária, as demais operações do aeroporto seguiram normalmente, sem impactos. Por conta do tempo necessário para a conclusão do procedimento, o voo, inicialmente previsto para decolar às 9h55 (horário local), partiu às 14h04. A LATAM Airlines Brasil afirmou que solicitou às autoridades uma verificação de segurança na aeronave. De acordo com a companhia, a medida foi adotada de forma preventiva e está alinhada aos protocolos estabelecidos para esse tipo de situação. A empresa informou ainda que presta assistência aos passageiros afetados pelo cancelamento. Em nota, a Polícia Federal informou que realizou inspeção na aeronave, além de verificações em passageiros e bagagens. Segundo a corporação, as diligências foram concluídas sem a identificação de riscos ou irregularidades. O número de casos mais que dobrou entre a segunda quinzena de fevereiro e a última quinta-feira. Além das confirmações, há 570 casos sob investigação, e 7 classificados como prováveis | 12h30 – 03/09/2026
A pesquisa ouviu 2.002 pessoas com mais de 16 anos em dezembro do ano passado, em todo o Brasil. Quando perguntados sobre qual diagnóstico mais temiam que atingisse algum parente ou amigo -entre Alzheimer, Parkinson, Aids e câncer-, 75% dos entrevistados colocaram o câncer em primeiro lugar. O Alzheimer aparece na sequência, citado por 13% como o mais temido; a Aids vem depois (9%), e o Parkinson é mencionado por 1% como maior temor. Para especialistas ouvidos pela Folha, o medo do Alzheimer está fortemente ligado ao desconhecimento sobre a doença. A geriatra Celene Pinheiro, presidente da Abraz (Associação Brasileira de Alzheimer), diz que o estigma afasta as pessoas da busca por diagnóstico e tratamento. “O medo da doença faz com que muitos evitem procurar ajuda. Ainda existe a ideia de que demência é algo natural do envelhecimento, e isso não é verdade. Sempre que há mudanças cognitivas é preciso investigar.” A geriatra Claudia Suemoto, professora associada da disciplina de Geriatria da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), ficou surpresa com o fato de a doença aparecer entre as principais preocupações de saúde em um grupo relativamente jovem. “A média de idade da pesquisa é de 44 anos e apenas 22% têm 60 anos ou mais, que é justamente a população com maior risco para demência”, afirma. “É uma população que, em geral, não está em risco imediato. Mesmo assim, o Alzheimer aparece atrás do câncer entre os maiores medos”, diz a médica, que também é diretora do Biobanco para Estudos em Envelhecimento da USP. Com o envelhecimento populacional, Suemoto avalia que cada vez mais pessoas convivem com alguém que recebeu diagnóstico de demência. A pesquisa mostra que 41% dos entrevistados já receberam ou conhecem alguém próximo que recebeu diagnóstico de Alzheimer. Quando questionados na pesquisa sobre em quais casos é mais importante receber o diagnóstico o quanto antes para o sucesso do tratamento, 84% citam câncer em primeiro lugar, e 10%, Aids. No caso do Alzheimer, o percentual cai para 4%, enquanto o Parkinson é mencionado por 1%. A pesquisa também aponta ampla concordância (99%) sobre a importância de procurar um médico aos primeiros sinais do Alzheimer. Apesar disso, 60% reconhecem que, na prática, costuma haver um longo período entre os primeiros sinais de confusão ou perda de memória e a busca por um especialista -88% avaliam que em geral as pessoas só procuram ajuda quando os sintomas já estão mais graves. Celene Pinheiro afirma que a percepção pública sobre a doença ainda está associada às fases mais avançadas. Ela afirma que hoje, contudo, o acompanhamento precoce pode mudar esse cenário. “A doença de Alzheimer não tem cura, mas tem tratamento, e quanto mais cedo ele começa, melhores são os resultados.” Segundo a geriatra, com medicação, atividade física e estimulação cognitiva muitos pacientes conseguem manter autonomia por anos. “Tem pessoas que viajam, vão ao teatro, ao cinema e mantêm vida social ativa. A realidade hoje é diferente da imagem que muitas pessoas ainda têm da doença.” FALTA DE DIAGNÓSTICO PREOCUPA Um dos principais desafios no país está justamente no número de casos que nunca chegam a ser identificados. Dados do Renade (Relatório Nacional de Demências) publicados em 2024 pelo Ministério da Saúde indicam que cerca de 80% dos casos de demência no Brasil não são diagnosticados. “Muitas vezes o diagnóstico ocorre apenas em fases mais avançadas, quando os sintomas já estão muito evidentes”, afirma Suemoto. A taxa de subdiagnóstico no Brasil é maior que as da Europa (53,7%) e da América do Norte (62,9%), aproximando-se dos índices observados em países asiáticos como China e Índia, que superam os 90%, segundo o Renade. Demência é um termo que engloba diferentes doenças, incluindo o Alzheimer, a mais comum. De forma geral, caracteriza-se por um déficit cognitivo que pode afetar memória, linguagem, planejamento ou execução de tarefas, grave o suficiente para interferir no dia a dia da pessoa. “Se alguém que sempre foi organizado começa a ter dificuldade para se comunicar, chega atrasado a compromissos ou não consegue mais realizar tarefas que antes fazia sem problema, isso pode indicar uma mudança cognitiva relevante”, diz a geriatra. Segundo a geriatra, ainda é comum que familiares e até profissionais de saúde minimizem esses sinais, especialmente em pessoas muito idosas. Para ela, existe uma tendência de dizer que é normal esquecer porque a pessoa tem 85 ou 90 anos, mas não é. Se houver mudanças que afetem a autonomia é preciso investigar, alerta. A orientação é buscar avaliação médica em caso de suspeita de alterações cognitivas, independente da idade. Uma pessoa jovem que apresenta déficit cognitivo, por exemplo, provavelmente não tem demência, mas o quadro pode ser consequência de outras condições, como depressão, deficiência de vitamina B12 ou alterações da tireoide. A doença de Alzheimer, comum entre a população idosa, apresenta sintomas iniciais que podem ser úteis para um diagnóstico precoce. O neurologista João Carlos Lobato Moraes alerta para 7 desses sintomas. | 23:00 – 03/03/2026
Diante da importância dessas três universidades, o caminho adotado por elas diz respeito não somente às suas comunidades, mas deve servir como referência a outras instituições de ensino, à educação brasileira em geral e até a outras áreas.O debate sobre o uso de IA tem tomado diferentes setores, inclusive a imprensa, cada um deles com suas especificidades. Nas universidades, a definição de regras é parte de um projeto maior. A exemplo do que vem ocorrendo em universidades no mundo todo, USP, Unicamp e Unesp estão estruturando departamentos para estabelecer protocolos e diretrizes da IA, coordenar debates, pesquisas e desenvolvimento de ferramentas, além de promover a formação de alunos, professores, funcionários e da comunidade externa. A Unesp publicou no ano passado a resolução geral e uma portaria para a pós-graduação. Finalizou agora um guia para a graduação, ao qual a Folha de S.Paulo teve acesso, com normas divididas em “O que você PODE fazer”, “O que você NUNCA pode fazer” e “O que você TALVEZ possa fazer”. Exemplos do que o aluno pode fazer: usar IA para traduzir textos, parafrasear parágrafos e elaborar resumos. E do que nunca pode fazer: submeter trabalhos gerados por IA, de forma integral ou parcial, como se fossem produções originais, usar IA em avaliações sem autorização do professor. Docentes podem, por exemplo, usar IA para elaborar aulas e auxiliá-los na correção -é obrigatório que revisem o resultado. Eles nunca podem criar materiais didáticos sem revisão humana e sem declarar o uso da IA aos alunos. O guia orienta que os docentes reflitam com os alunos sobre a IA e estipulem em que fases dos trabalhos ela pode ser utilizada e como. Curiosamente, o guia foi elaborado com a ajuda de IA, trazendo um capítulo para falar sobre isso. “Buscamos promover o uso responsável. E isso envolve também a formação sobre o que é a IA, fundamentos, riscos, possibilidades, aspectos éticos”, diz Denis Salvadeo, um dos organizadores do guia. Ele coordena o Laboratório do Futuro, ligado à reitoria. Criado no ano passado para tratar da IA na Unesp, já ofereceu um curso de formação para docentes, alunos e funcionários. O laboratório deve ser ampliado e se tornar o Instituto de Inovação em Inteligência Artificial (I3A), para coordenar ações e pesquisas na universidade e articular debates e parcerias com a comunidade externa. “Há muitas questões em aberto na sociedade e precisamos achar um equilíbrio no uso dessas ferramentas”, diz. “A Unesp tem muitos cursos de licenciatura, forma professores. Como falar com os alunos sobre IA?”, questiona. “Não há ferramentas de detecção de IA confiáveis, elas levam ao risco de acusações injustas. Devemos ter outras estratégias para o ensino, como reforçar os projetos, os debates, as questões orais feitas em sala de aula.” Salvadeo reforça que a universidade deve se voltar aos impactos da IA. “Um grande debate é o do risco de a IA reduzir nossa capacidade cognitiva. Temos que olhar para isso, investindo em pesquisas interdisciplinares, com áreas como medicina, psicologia, educação.” A Unesp tem planos de criar um curso de graduação em IA, assim como a USP. Na Unicamp, o bacharelado em Inteligência Artificial e Ciências de Dados deve ser aprovado no fim de março pelo Conselho Universitário. Dessa mesma reunião, deve sair o primeiro protocolo para o uso da IA na Unicamp. “Esse texto trata do tema de uma forma mais ampla, dando baliza, por exemplo, para como encarar a questão da autoria, do plágio”, diz Leonardo Tomazeli Duarte, coordenador do recém-criado Centro de Referência em Tecnologias de Inteligência Artificial da Unicamp. “Dúvidas pontuais vão surgir, e seguiremos com o debate, a elaboração de informes, cartilhas e com investimento em capacitação.” Os docentes testam estratégias. “Muitos usam detectores de IA. Alguns estão até experimentando provas orais, e há um investimento maior em projetos, com apresentação oral. Quando não dá para a turma inteira se apresentar, combina-se que todos fazem o trabalho e alguns são sorteados na aula para apresentá-lo.” Professor na Faculdade de Ciências Aplicadas, ele mesmo sentiu o impacto. “Eu pedia relatórios aos alunos e, de repente, todos passaram a escrever superbem. Tenho trocado relatórios por apresentações orais”, diz. “Não adianta ficar em um faz-de-conta, é preciso reforçar a importância do aprendizado. Digo aos alunos: se desligarem a inteligência artificial, vocês têm que saber fazer um programa de computador, até para ter um olhar crítico sobre o que a IA entrega.” O momento é de repensar a universidade, ressalta. “Há cursos carregados de créditos de aula, demanda. O aluno é um ser humano, vai se virar. Se tiver 20 provas e dez projetos no mês, é difícil que deixe de usar subterfúgios da IA. Precisamos buscar a essência da formação.” Na USP, a criação do Escritório de Inteligência Artificial e Transformação Digital fez parte da campanha da chapa eleita para a reitoria, que tomou posse em janeiro (o reitor é Aluísio Segurado, e a vice-reitora, Liedi Bernucci). Ligado ao gabinete do reitor, o escritório está em fase final de estruturação, segundo o coordenador, André Carlos Ponce de Leon Ferreira de Carvalho. Irá planejar, coordenar e orientar a transformação digital e a utilização da inteligência artificial na USP. Um protocolo para o uso da IA está sendo elaborado, “e as regras serão baseadas na transparência, uso ético e responsável”. Já há na USP vários grupos de pesquisa ligados à IA, entre eles o Centro de Inteligência Artificial e Aprendizado de Máquina (CIAAM), vinculado à reitoria. Polo de pesquisa e inovação, articula estudos de diversas unidades e, no mês passado, inaugurou um equipamento de IA considerado um dos maiores e mais modernos da América Latina (cluster, ou conjunto de servidores, com tecnologia B200). O coordenador, Fabio Cozman, explica que o CIAAM tem parcerias com empresas e com outras instituições. Um dos exemplos é um convênio com o Ministério da Justiça para desenvolver o 1º Guia de Uso Ético de IA no país. É o que ocorreu na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), que tem uma das graduações em medicina mais disputadas no sistema
SÃO PAULO, SP (UOL/) – A vereadora licenciada do Recife Andreza Romero (PSB) denunciou à polícia um funcionário do parque aquático Beach Park, no Ceará, por assédio sexual. O caso aconteceu na sexta-feira (6). Andreza afirma que acompanhava a filha de três anos em um brinquedo quando foi apalpada pelo funcionário. Ela conta que estava subindo a escada da atração Áqua Show, que fica na área infantil do parque, quando o funcionário passou por ela e “passou deliberadamente a mão de uma nádega a outra”. Em um vídeo publicado em redes sociais, Andreza contou que ficou sem reação diante do assédio, fingiu naturalidade para a filha e desceu do toboágua. Ela estava no local com os três filhos e com uma babá. “Eu sempre imaginei que se eu passasse por uma situação como essa, eu ia reagir na mesma hora, eu ia gritar, eu ia fazer escândalo, mas não foi bem assim. Não foi assim que aconteceu. Eu travei, eu fiquei em choque. Fiquei com muito nojo”, disse Andreza Romero, em vídeo publicado nas redes sociais. Ela conta que percebeu que o funcionário continuou monitorando a reação dela de cima do brinquedo, após a descida. “Eu percebi naquela hora que não foi acidente”, afirmou. A vereadora licenciada procurou a polícia e registrou um boletim de ocorrência por importunação sexual. Depois disso, ela procurou o Beach Park. Ontem, ela informou que o parque a acolheu. Andreza também publicou uma imagem olhando as câmeras de segurança do local. “Se ele fez isso comigo, vereadora, advogada, mãe, em uma área cheia de criança. Comigo, que eu sou uma adulta, ele teve coragem. Imagine com uma criança que não sabe nem o que está acontecendo?”, continuou Andreza Romero, em vídeo publicado nas redes sociais. Beach Park afirmou que funcionário foi afastado do cargo. Em nota enviada ao UOL, a empresa disse que está em contato com a vereadora e que presta os esclarecimentos e apoio sobre o caso.“Estamos cientes da importância de garantir a segurança dos nossos frequentadores em todas as situações. Todos os colaboradores passam por treinamentos para conhecimento do nosso código de conduta que veda todo tipo de comportamento inadequado”, informou Beach Park, em nota Prefeito, Câmara Municipal do Recife e PSB emitiram nota em apoio à parlamentar. João Campos (PSB) chamou o caso de “revoltante” em publicação nas redes sociais. Como denunciar violência sexual Vítimas de violência sexual não precisam registrar boletim de ocorrência para receber atendimento médico e psicológico no sistema público de saúde, mas o exame de corpo de delito só pode ser realizado com o boletim de ocorrência em mãos. O exame pode apontar provas que auxiliem na acusação durante um processo judicial, e podem ser feitos a qualquer tempo depois do crime. Mas por se tratar de provas que podem desaparecer, caso seja feito, recomenda-se que seja o mais próximo possível da data do crime. Em casos flagrantes de violência sexual, o 190, da Polícia Militar, é o melhor número para ligar e denunciar a agressão. Policiais militares em patrulhamento também podem ser acionados. O Ligue 180 também recebe denúncias, mas não casos em flagrante, de violência doméstica, além de orientar e encaminhar o melhor serviço de acolhimento na cidade da vítima. O serviço também pode ser acionado pelo WhatsApp (61) 99656-5008. Legalmente, vítimas de estupro podem buscar qualquer hospital com atendimento de ginecologia e obstetrícia para tomar medicação de prevenção de infecção sexualmente transmissível, ter atendimento psicológico e fazer interrupção da gestação legalmente. Na prática, nem todos os hospitais fazem o atendimento. Para aborto, confira neste site as unidades que realmente auxiliam as vítimas de estupro. Leia Também: Polilaminina: entenda a esperança e os testes ainda necessários
Segundo o boletim de ocorrência, o homem descumpria reiteradamente a ordem judicial. Apesar disso, ele não usava tornozeleira eletrônica –mecanismo que poderia alertar autoridades no caso de aproximação da vítima. Casos como o de Cibelle ocorrem em um contexto de aumento dos registros de violência contra a mulher e de feminicídio no país, em meio ao avanço de discursos misóginos em redes sociais. “Não tem como negar que existe uma manifestação de ódio e desprezo relacionada a uma maior busca das mulheres por emancipação”, avalia a promotora Silvia Chakian, coordenadora do Núcleo de Atendimento às Vítimas de Violência do Ministério Público de São Paulo. “Há movimentos para cooptar jovens, aproveitando-se de suas vulnerabilidades e frustrações, com discursos misóginos que objetificam mulheres. Quando vemos o caso do estupro coletivo (no Rio de Janeiro) e as idades dos agressores, pensamos em como foi a criação desses garotos.” Ao mesmo tempo, casos como o da lojista morta no trabalho expõem um paradoxo das políticas públicas: mesmo quando o sistema de Justiça é acionado, a proteção pode falhar. Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) mostra que cerca de 13% das mulheres vítimas de feminicídio tinham medida protetiva ativa no momento da morte – ou seja, haviam buscado ajuda do Estado antes do crime. A discrepância releva a distância entre o arcabouço jurídico criado pela Lei Maria da Penha -que completa 20 anos em 2026- e sua implementação efetiva. Entre as causas da disparidade, segundo especialistas em violência contra a mulher ouvidos pela Folha, estão a falta de investimentos nas medidas previstas na lei e falhas de integração entre as ferramentas, suas instituições e esferas de poder. “A Lei Maria da Penha não é perfeita, mas é completa”, afirma Regina Célia, cofundadora do Instituto Maria da Penha. “Ela orienta as políticas públicas e o trabalho dos profissionais, mas sua aplicação depende de uma ação articulada entre instituições.” O enfrentamento da violência doméstica, prevê a lei, envolve segurança pública, Justiça, saúde, assistência social e educação para o respeito desde a infância –área considerada essencial na prevenção de longo prazo. Para Rafaela Caldeira Gonçalves, juíza da Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da região oeste de São Paulo, a lei ajudou a tirar a violência de gênero da invisibilidade e a ampliar o conhecimento das mulheres sobre os instrumentos de proteção. Segundo ela, o problema precisa ser tratado como política de Estado, pois tem impactos econômicos e sociais amplos. “Equipamentos estão desmantelados, abrigos e serviços precisam ser criados e mantidos”, afirma. Chakian afirma que o uso efetivo da tecnologia poderia evitar parte dos casos. “Se aquele agressor (do shopping) estivesse tornozelado e essa medida fosse monitorada corretamente, aquela vida poderia ter sido preservada”, afirma, sobre o caso de Cibelle. De acordo com a promotora, o monitoramento eletrônico é eficaz e já existe, mas ainda é aplicado de forma limitada. Procurada, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) de São Paulo afirmou que o monitoramento eletrônico de agressores em casos de violência doméstica começou em setembro de 2023. “O estado possui 1.250 dispositivos disponíveis e o monitoramento depende de autorização judicial.” A jurista Fabiana Severi, professora da USP em Ribeirão Preto e integrante do Consórcio Lei Maria da Penha, afirma que a implementação da lei perdeu força na última década, especialmente após cortes no orçamento federal destinado às políticas de enfrentamento à violência doméstica. Para ela, os recursos foram fundamentais para expandir serviços especializados de atendimento à mulher, sobretudo em municípios menores, que não possuem estrutura própria para manter casas-abrigo e centros de atendimento. Com a redução desses repasses, parte da rede foi desmontada. Dados do FBSP mostram que municípios de até 100 mil habitantes concentram metade dos feminicídios do país, embora abriguem apenas 41% da população feminina. Somente 1 a cada 3 dessas cidades possuem ao menos um serviço especializado no atendimento à mulher em situação de violência. Delegacias da Mulher existem em apenas 5% desses municípios pequenos, e casas-abrigo em cerca de 3% deles. Para Wânia Pasinato, assessora sênior da ONU Mulheres, o Brasil possui um arcabouço legal considerado avançado no enfrentamento à violência contra a mulher, mas o principal desafio é transformar normas em políticas efetivas. Segundo ela, mais do que criar novas leis, é necessário fortalecer programas já existentes e melhorar o atendimento oferecido às vítimas, especialmente no seu primeiro contato com a rede de proteção. “O primeiro atendimento é decisivo”, afirma. “Se a mulher não encontra acolhimento e resposta rápida, perde confiança na rede de proteção.” Pasinato também ressalta que a falta de dados consolidados sobre violência de gênero dificulta avaliar o impacto das políticas públicas e entender com precisão a dimensão do problema no país. “Esses números mais altos não significam necessariamente que a violência começou agora. Em muitos casos, eles refletem uma melhoria nos registros e nas notificações feitas pelos serviços.” Na avaliação da socióloga, a violência contra mulheres tem causas estruturais ligadas à desigualdade de gênero. Ela lembra ainda que marcos internacionais, como a Convenção de Belém do Pará, consolidaram o entendimento de que a violência contra a mulher é uma violação de direitos humanos e estabeleceram a responsabilidade dos Estados na criação de políticas de prevenção e enfrentamento. Fiona Macaulay, pesquisadora da Universidade de Oxford, no Reino Unido, que estuda direitos humanos e relações de gênero na América Latina, vê como uma das experiências brasileiras mais relevantes de prevenção as Patrulhas Maria da Penha –rondas de agentes de segurança para verificar o cumprimento das medidas. “Muitas mulheres sabem que, ao denunciar ou tentar romper o relacionamento, o agressor pode reagir com mais violência. O grande avanço das patrulhas é justamente cortar esse ciclo”, avalia.Segundo Macaulay, a proteção no entanto funciona de forma desigual no território. “Quem mora em locais onde há esse serviço tem mais chances de evitar um feminicídio.” O governo federal afirma que o enfrentamento à violência contra mulheres envolve recursos distribuídos em diferentes áreas. Segundo a secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres, Estela Bezerra, parte das ações ocorre por
Christiano José Bezerra da Silva, de 58 anos, é investigado por suspeita de maus-tratos após agredir o próprio cachorro dentro do elevador de um prédio em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Segundo a Polícia Civil, ele é guarda civil municipal aposentado e responde ao inquérito em liberdade. A ocorrência começou a ser apurada depois que policiais do 3º Distrito Policial da cidade receberam uma denúncia anônima na terça-feira (3). A equipe foi até um edifício de alto padrão localizado no bairro Vila Caiçara para verificar a situação.
De acordo com o delegado Rodrigo Martins Iotti, as autoridades confirmaram as agressões após analisarem imagens das câmeras de segurança do prédio. O vídeo mostra o homem entrando no elevador acompanhado de dois cães, mas apenas um deles aparece sendo atacado. Nas imagens, o suspeito dá tapas e chutes no animal, que é de pequeno porte. Em outro momento, ele também balança o cachorro segurando-o pela coleira, deixando o animal pendurado. Durante a ação, a coleira chega a se soltar do pescoço do cão. Até a publicação da reportagem, a defesa de Christiano não havia sido localizada pelo g1. Diante da confirmação das agressões, a polícia cumpriu, na sexta-feira (6), um mandado de busca e apreensão para retirar o cachorro da residência do investigado. Segundo o boletim de ocorrência, ao ser abordado pelos agentes, Christiano questionou quem teria feito a denúncia e afirmou considerar a situação um “absurdo”. Durante a ação, a esposa do investigado tentou impedir o cumprimento da ordem judicial. Conforme o registro policial, ela chegou a trancar o animal em um dos cômodos do apartamento. Posteriormente, foi convencida pelo marido a entregar o cachorro aos policiais. Ainda durante a operação, o homem foi oficialmente intimado a comparecer à delegacia na semana seguinte para prestar depoimento no inquérito que apura o caso. Leia Também: Vorcaro fez festa de R$ 220 milhões com Coldplay na Itália
Ó pastor evangélico Moisés Galdino, de 53 anos, morreu após passar mal dentro de um motel no bairro Canaãzinho, em Ipatinga, Minas Gerais. Ele estava acompanhado de uma mulher quando começou a apresentar sintomas de infarto logo depois de manter relação sexual. De acordo com o portal Metrópoles, a mulher que estava com ele chamou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Os socorristas realizaram manobras de reanimação por cerca de uma hora, mas o pastor não resistiu e a morte foi confirmada ainda no local. A Polícia Militar de Minas Gerais também foi acionada para a ocorrência. No entanto, quando os policiais chegaram ao motel, a mulher que acompanhava o pastor já havia deixado o local. Antes de sair, ela informou aos profissionais de saúde que a vítima era casada e que, por esse motivo, não permaneceria até a chegada da polícia. Segundo informações do Samu, o corpo de Moisés Galdino não apresentava sinais de violência. A esposa do pastor foi chamada ao estabelecimento e realizou o reconhecimento do corpo. Ainda de acordo com o relato da mulher aos socorristas, o pastor teria desmaiado logo após a relação sexual. Ele caiu em seguida e começou a apresentar os sintomas que levaram ao atendimento de emergência. O caso ocorreu no bairro Canaãzinho, em Ipatinga, cidade localizada no interior de Minas Gerais. Até o momento, não há indicação de crime ou de qualquer situação de violência relacionada ao ocorrido. O jornal Extra informou que procurou a Polícia Militar de Minas Gerais para obter mais informações sobre o caso, mas não havia recebido retorno até a publicação da reportagem. Leia Também: Caso da ‘rachadinha’ de Flávio Bolsonaro foi encerrado com perguntas não respondidas
Ele foi um dos presos na quarta-feira (4) em nova fase da Operação Compliance Zero. Apelidado de “Sicário”, foi identificado pela PF como operador central de um grupo chamado “A Turma”, sendo responsável por coordenar atividades voltadas à obtenção de informações e monitoramento de pessoas de interesse do dono do Banco Master. Segundo informações da PF, Mourão tentou suicídio em uma cela da Superintendência da Polícia Federal de Minas Gerais. Ele foi socorrido e levado ao hospital, onde estava internado desde então. Foi com ele que Vorcaro trocou mensagens sobre uma tentativa de intimidar o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, por meio de um assalto, além de outras conversas envolvendo ameaças e agressões a desafetos. Mourão, segundo a PF, seria o responsável por executar essas condutas, tendo inclusive acesso a bases de dados restritas de órgãos públicos nacionais e internacionais. No dia da prisão de Mourão, a defesa afirmou que os fatos imputados a ele não correspondiam à realidade e seriam devidamente esclarecidos assim que a defesa tivesse acesso integral aos autos da investigação. Em Minas Gerais, onde era conhecido pelo apelido de “Mexerica”, Mourão teve passagem pelos crimes de furto qualificado, estelionato, associação criminosa, falsificação de documento público, organização criminosa e crimes contra a economia popular, segundo policiais ouvidos pela Folha. Os crimes pelos quais ele tinha registro não são considerados violentos. Para a Polícia de Minas Gerais, o perfil de Mourão era mais de um golpista -diferentemente do perfil agressivo que consta nos relatórios que motivaram a prisão dele no caso Master. Segundo policiais, ele era conhecido por ser agiota e envolvido em esquemas de pirâmide relacionados a investimentos falsos e de compra e venda de veículos usados. Há indícios de que também integrava organização criminosa com ramificações em jogos do bicho e apostas ilegais, envolvendo inclusive criminosos e policiais.Mourão também teria amizades influentes na polícia mineira e em outras esferas de poder. Além dos registros policiais, Luiz Phillipi Mourão era réu desde 2021 por crime contra a economia popular, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo denúncia da Promotoria de Minas obtida pela Folha, Mourão atuou como um dos chefes e articuladores de um esquema de pirâmide financeira. O processo corre na 5ª Vara Criminal de Belo Horizonte e ainda não foi julgado. De acordo com os procuradores, o esquema teria começado em 2017 e envolvia anúncios de investimentos com promessas de lucros exorbitantes para atrair interessados em compra e venda de títulos, ações e cotas. Outras dez pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público como integrantes do esquema, incluindo a mãe e a irmã de Mourão.Sobre essas acusações, a defesa disse, no mesmo dia da prisão de Mourão no âmbito da operação Compliance Zero, que o processo ainda estava em curso e que acreditava que ao final seria provada sua inocência. Leia Também: Produção de armamento avançado dos EUA será quadruplicada, diz Trump
UM pesquisadora Tatiana Sampaio afirmou que fará correções no artigo científico que apresenta os primeiros testes em humanos com a polilaminina, uma substância estudada como possível tratamento para lesões na medula espinhal. Segundo ela, o texto passará por uma revisão geral, com ajustes técnicos, correções na apresentação de dados e mudanças na forma como os resultados foram descritos. “Esse pré-print eu coloquei assim no momento. Eu pensei: ‘isso aí não vai dar Ibope, vou deixar lá só para registrar que a gente fez isso em algum momento, por questões de autoria’. Mas ele não estava bem escrito.” O estudo foi divulgado inicialmente como pré-print, ou seja, uma versão preliminar de um artigo científico disponibilizada publicamente antes de passar pela revisão de outros pesquisadores. A polilaminina é uma proteína derivada da laminina, molécula naturalmente presente nos tecidos do corpo e responsável por dar suporte às células. A hipótese da pesquisa é que, quando aplicada em uma medula espinhal lesionada, a substância poderia estimular a regeneração de conexões nervosas. O trabalho que será revisado foi divulgado como pré-print em fevereiro de 2024 e reúne resultados de cerca de duas décadas de pesquisa desenvolvida na Universidade Federal do Rio de Janeiro. O estudo inclui uma fase experimental iniciada em 2018, com testes em oito pacientes humanos. Antes disso, a molécula havia sido avaliada em cães. Os resultados chamaram a atenção do laboratório Cristália, que já investiu cerca de R$ 100 milhões no desenvolvimento da substância para transformá-la em medicamento. No início de 2026, o trabalho ganhou grande visibilidade quando Tatiana passou a conceder entrevistas ao lado de Bruno Drummond, um dos pacientes que participou da pesquisa, sofreu lesão medular e voltou a andar. A repercussão nas redes sociais foi intensa, mas também surgiram críticas de especialistas que apontaram inconsistências na apresentação de dados e questionaram a interpretação de eficácia do tratamento. Um dos pontos citados foi a situação de um paciente que morreu poucos dias após o procedimento, mas que no gráfico do estudo aparecia com melhora registrada após cerca de 400 dias de acompanhamento. A pesquisadora reconheceu que se trata de um erro que será corrigido. Segundo ela, os dados pertencem, na verdade, ao participante 2 e foram atribuídos incorretamente ao participante 1 devido a um erro de digitação. “Foi um erro de digitação, isso está errado”, disse. Outro ponto que será alterado envolve a apresentação de exames de eletromiografia utilizados para avaliar a possível regeneração de nervos e músculos após o tratamento. Especialistas apontaram que, em alguns casos descritos como sucesso, os exames não mostravam mudanças claras. Tatiana explicou que pretende substituir uma das figuras usadas no artigo, afirmando que a imagem atual apresentava dados brutos. “Não tem nenhum dado novo, tá? Então é exatamente a mesma coisa. Só que dito de uma maneira melhor e com figuras um pouco mais cuidadas.” A pesquisadora também pretende incluir uma nova análise separando os pacientes de acordo com o tipo de lesão. Segundo ela, entre os quatro participantes com lesões torácicas, todos evoluíram do grau A para o grau C na Escala de Avaliação da Lesão Medular (AIS). Tatiana afirma que, segundo a literatura científica, a taxa de recuperação espontânea nesse tipo de caso seria próxima de 1%, o que poderia reforçar a hipótese de eficácia da polilaminina. Além dessas mudanças, o texto passará por uma revisão completa de redação. A cientista explicou que alguns trechos da versão original não estavam claros e que decidiu reescrever partes do artigo para explicar melhor os procedimentos e os resultados. “Olha, a mudança principal eu acho que é a forma de escrever. Você vai escrevendo e vai vendo. Tem trechos que eu estou explicando mal e aí posso explicar melhor, mas não tem diferença.” Apesar das correções, Tatiana afirma que os dados apresentados e as conclusões do estudo permanecem os mesmos. Ainda assim, especialistas apontam que permanecem dúvidas importantes sobre a polilaminina. Uma delas é se a substância foi realmente responsável pelas melhoras observadas nos pacientes, já que todos também passaram por cirurgia e fisioterapia intensiva — tratamentos que por si só podem gerar algum grau de recuperação. Outra questão envolve a segurança do procedimento. Como o estudo é pequeno e preliminar, pesquisadores afirmam que são necessários testes maiores para avaliar possíveis riscos e efeitos adversos. O próprio pré-print menciona que mortes por pneumonia e sepse registradas entre participantes poderiam, em princípio, estar relacionadas a um possível efeito imunossupressor da polilaminina. Para que a substância possa se tornar um medicamento, ainda será necessário cumprir várias etapas regulatórias. O primeiro passo é a realização de ensaios clínicos oficiais em humanos, começando pela fase 1, voltada à avaliação de segurança em um pequeno grupo de participantes. Essa etapa foi aprovada em janeiro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, mas ainda aguarda análise de comissões de ética. Caso a segurança seja confirmada, o estudo precisará avançar para as fases 2 e 3, nas quais são avaliadas eficácia, dosagem adequada e possíveis efeitos adversos em populações maiores. Somente após essas etapas será possível solicitar o registro sanitário para comercialização do medicamento. Mesmo antes do início desses testes regulatórios, a divulgação do estudo mobilizou pacientes e familiares de pessoas com lesão medular. Segundo o laboratório Cristália, cerca de 40 ações judiciais foram protocoladas para garantir acesso à substância, e 19 aplicações já foram realizadas por determinação da Justiça, fora de ensaios clínicos formais. Outro ponto de debate entre especialistas envolve o desenho do estudo. A pesquisa foi conduzida como um ensaio de braço único, em que todos os participantes recebem o tratamento, sem um grupo controle para comparação. Tatiana defende que essa abordagem é suficiente. “Se você fizer um número grande o suficiente de pacientes, você passa a ter um grupo controle universal”, afirma a pesquisadora. Especialistas, porém, questionam essa estratégia. Para o presidente da Academia Brasileira de Neurologia, Delson José da Silva, a ausência de comparação com outro grupo impede concluir se a melhora observada está relacionada à polilaminina. “Muitos pacientes nesse tipo de caso melhoram apenas com a