Pantanal News

Participação de adolescentes no eleitorado pode atingir pior nível desde 2014, segundo projeção
Brasil

Participação de adolescentes no eleitorado pode atingir pior nível desde 2014, segundo projeção

Em 2022, mais de 2,5 milhões de jovens de 16 e 17 anos haviam solicitado a emissão de seus títulos de eleitor até o mês de maio. Já em 2026, projeção do Instituto Lamparina e do movimento GirlUp Brasil com base nos dados mensais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indica que entre 1,44 milhão e 1,6 milhão de jovens de 16 e 17 anos devem se cadastrar para votar até o final do prazo. O número representa cerca de 27,6% da população de adolescentes destas idades no país, o que fica abaixo dos percentuais registrados em 2014 (33,7%), 2018 (31%) e 2022 (41,2%). Em 2022, os adolescentes de 16 e 17 representaram 1,7% do eleitorado mensal verificado em maio. Lula venceu Bolsonaro em outubro por uma diferença quase igual: 1,8%. Em 2026, caso a projeção se confirme, essa faixa etária corresponderá a aproximadamente 1% do eleitorado total. Os dados usados na projeção da Girl Up Brasil são de jovens que solicitaram seus títulos até maio de cada ano eleitoral. O dado consolidado pelo TSE de eleitores aptos a votar nesta faixa etária é sempre um pouco diferente porque desconsidera aqueles eleitores que solicitaram o título aos 17 anos, mas completaram 18 anos antes do primeiro turno, em outubro. Há quatro anos, o cenário parecia caminhar na mesma direção. Em fevereiro de 2022, apenas 830 mil adolescentes haviam solicitado o título eleitoral, o pior início de série histórica para o grupo. A adesão equivalia a 13,6% da população de 16 e 17 anos e terminou com 41,2%. O voto nesta faixa etária é facultativo. “Começamos no pior janeiro da série histórica e terminamos com o melhor maio”, afirma Letícia Bahia, codiretora executiva da Girl Up Brasil, iniciativa voltada à formação de lideranças femininas e à promoção da igualdade de gênero. “O ângulo da curva foi completamente atípico.” A mudança, naquele ciclo eleitoral, ocorreu após a uma mobilização digital em defesa do voto jovem que transformou o alistamento em fenômeno de redes sociais. Influenciadores e artistas como a cantora Anitta e os atores Leonardo Di Caprio e Mark Ruffalo impulsionaram campanhas para incentivar adolescentes a emitir o documento antes do prazo final. Para Letícia Bahia, o crescimento recorde de 2022 ocorreu menos por ação institucional, como as campanhas do TSE, e mais por pressão da sociedade civil e dos próprios jovens. Ao final do prazo, mais de 2,1 milhões de adolescentes estavam aptos para votação, o que marcou um recorde de adesão nesta faixa etária desde a redemocratização. O fato de, naquele ano, ter sido possível realizar digitalmente o pedido de emissão do título de eleitor facilitou a mudança brusca. Já em 2026, a necessidade de registrar a biometria dos novos eleitores fez com que só fosse possível concluir a solicitação do título presencialmente. Em 2020, em meio às restrições sanitárias da pandemia da Covid 19, o TSE passou a permitir a emissão online do documento e suspendeu temporariamente a exigência de biometria presencial. A medida ampliou o acesso em regiões sem cartórios eleitorais e reduziu barreiras logísticas para adolescentes. “Milhares de municípios não têm cartório eleitoral”, afirma Bahia. “A barreira do alistamento presencial é física.” Em 2026, embora parte do procedimento continue digital, a coleta biométrica voltou a ser exigida para novos eleitores. O Instituto Lamparina e o GirlUp Brasil avaliam que a retomada da etapa presencial pode ter contribuído para desacelerar o alistamento. “O aumento expressivo de 2022 mostrou que os jovens da Geração Z querem participar. Quando o processo se torna mais acessível, eles respondem. O desafio agora é evitar que barreiras burocráticas ou tecnológicas silenciem essa participação”, afirma Gabi Juns, diretora executiva do Instituto Lamparina, organização liderada por mulheres que atua em pesquisas e campanhas. Letícia Bahia avalia que o recuo preocupa porque o comparecimento eleitoral é uma das métricas importantes da democracia. “Se estamos preocupados com erosão democrática, deveríamos olhar mais para isso”, avalia. Leia Também: Polícia apura se suposto excesso de peso pode ter contribuído com acidente aéreo em BH

Saúde

Anvisa vai monitorar efeitos colaterais de canetas emagrecedoras

Preocupada com o crescente uso das chamadas canetas emagrecedoras – muitas vezes para fins ou formas não previstos na bula – a diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou, nesta quarta-feira (6), um Plano de Farmacovigilância Ativa. A iniciativa marca mudança na estratégia do órgão: em vez de apenas aguardar relatos voluntários de pacientes e médicos, a agência passará a realizar, em parceria com estabelecimentos de saúde, um monitoramento proativo. O foco é identificar, de forma sistemática, eventuais efeitos colaterais do uso de medicamentos agonistas do receptor do GLP‑1 (sigla do inglês glucagon-like peptide-1, ou peptídeo semelhante ao glucagon 1), popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras. Segundo o diretor Thiago Lopes Cardoso Campos, a medida é uma resposta direta ao “crescimento expressivo do consumo” e ao aumento de complicações no Brasil. Entre 2018 e março de 2026, foram registradas 2.965 notificações de eventos adversos relacionados aos medicamentos, especialmente em 2025, e com predominância de casos associados ao uso da semaglutida. “Estamos diante de medicamentos com benefícios comprovados para o tratamento do diabetes e da obesidade, mas cujo uso tem se expandido para situações fora das indicações aprovadas, frequentemente sem acompanhamento clínico adequado”, afirmou o diretor, durante a 7ª reunião pública da diretoria da agência. Campos destacou que a demanda pelas canetas emagrecedoras tem alimentado a circulação de produtos falsificados, manipulados em condições inadequadas ou de procedência desconhecida. A venda de medicamentos irregulares é crime previsto no artigo nº 273 do Código Penal.  “Medicamentos falsificados ou sem garantia de origem representam um risco sanitário gravíssimo. Não há como assegurar esterilidade, qualidade, dosagem ou eficácia, o que pode expor pacientes a eventos adversos sérios e a danos irreversíveis.” Segundo o diretor, a iniciativa é desdobramento do plano de ação anunciado no início do mês passado, com foco no monitoramento pós-venda e no fortalecimento das ações de farmacovigilância dos medicamentos agonistas do receptor do GLP-1. O monitoramento conta ainda com a participação voluntária da Rede Sentinela, composta por serviços de saúde, estabelecimentos de ensino e pesquisa, serviços de assistência farmacêutica, laboratórios clínicos e de anatomia patológica. A ação agrega a HU Brasil (antiga Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, Ebserh), que reúne hospitais universitários em todo o país. O diretor defendeu a importância da ação, complementada com acordo de cooperação da Polícia Federal (PF) para ações conjuntas.“A iniciativa está aberta à adesão de outros hospitais com capacidade técnica e compromisso com a qualificação das notificações à vigilância sanitária e com a segurança do uso de medicamentos”, explicou Campos.  É na fase pós-comercialização que riscos raros, tardios ou associados a situações específicas de uso passam efetivamente a se manifestar. “Não basta registrar medicamentos. É indispensável acompanharmos como eles se comportam na vida real”, acrescentou o diretor, argumentando que a sociedade não pode permitir que “o entusiasmo com a inovação obscureça os riscos associados ao uso indiscriminado” de novos medicamentos. Para o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, o interesse despertado pelas canetas emagrecedoras exige uma atuação “firme, coordenada e muito atenta” por parte da agência reguladora. Motivo pelo qual, segundo ele, o modelo de farmacovigilância ativa cumpre um papel “absolutamente estratégico”. “Não podemos apenas esperar que as notificações cheguem à agência. É preciso organizar junto aos serviços de saúde uma busca estruturada que permita detectar precocemente eventos adversos, qualificar as informações recebidas e ampliar nossa capacidade de análise dos riscos associados ao uso destes medicamentos”, defendeu Safatle. FONTE: AGENCIA BRASIL

Comissão aprova volta de exame médico para renovar CNH, em derrota do governo Lula
Brasil

Comissão aprova volta de exame médico para renovar CNH, em derrota do governo Lula

A mudança no texto se deu após um forte lobby por parte da classe médica para reverter o fim à obrigatoriedade universal dos exames. O relator da comissão, o senador Renan Filho (MDB-AL) e ex-ministro dos Transportes, acatou o pedido e alterou esse trecho em seu parecer. O texto foi aprovado como Projeto de Lei de Conversão de forma simbólica, quando não há contagem nominal dos votos. A proposta ainda deverá ter o aval do plenário da Câmara e do Senado até 19 de maio para valer. Até lá, a MP enviada pelo governo continua em vigor. A decisão de pôr um fim na obrigatoriedade universal dos exames médico e psicológico, que até o fim do ano passado custavam mais de R$ 400 e hoje custam R$ 180 (valor que passou a ser imposto pela própria MP editada em dezembro), se apoia em dados oficiais que, segundo o governo, revelam a baixa efetividade da exigência generalizada. A Folha teve acesso a uma análise técnica realizada pela Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito) sobre esses exames. Os dados reunidos desde 2015 mostram que, na realidade, mais de 99,5% dos motoristas que passam pelos exames permanecem aptos a dirigir, enquanto apenas cerca de 0,4% são considerados temporariamente inaptos. Uma fração mínima de 0,03% recebe inaptidão definitiva. Com base nesse diagnóstico, o governo argumenta que o exame periódico obrigatório se tornou, na prática, só mais uma etapa burocrática e de alto custo para o cidadão. Leia Também: Lula planeja anunciar quase R$ 1 bi para a segurança pública

Carlinhos Maia depõe à Polícia Civil de Goiás sobre caso de “brisadeiro” em festa de Virginia
Famosos

Carlinhos Maia depõe à Polícia Civil de Goiás sobre caso de “brisadeiro” em festa de Virginia

O influenciador Carlinhos Maia prestou depoimento à Polícia Civil de Goiás nesta terça-feira (5) no inquérito que investiga o consumo de um brigadeiro com maconha durante a festa de Natal promovida por Virginia Fonseca e o jogador Vinícius Júnior, em Goiânia. As informações foram divulgadas com exclusividade pelo Portal LeoDias, , que teve acesso ao conteúdo do depoimento prestado ao delegado Marcelo Fernandes. Segundo o portal, Carlinhos afirmou às autoridades que não sabia que o brigadeiro continha cannabis no momento em que consumiu o doce durante a confraternização realizada em dezembro de 2025. O influenciador também declarou que não é usuário de drogas e negou ter levado qualquer substância para o evento. “Então, eu não sou maconheiro, não sou um drogado, não sou nada do tipo, e contei a experiência na maior naturalidade, porque era uma coisa nova, inclusive. Eu provei, não é sair fumando maconha, não é sair levando tráfico de brigadeiro para nada, foi uma bala de brigadeiro. O pessoal disse que vende, me deram, eu achei, quis provar a experiência, provei e é isso. Onde que estavam esses brigadeiros? Ah, não sei, encontrei várias pessoas ali na saída do hotel, em vários lugares, foi tanta gente. Por isso mesmo que eu quis dividir a experiência, porque esse brigadeiro me deixou realmente de um jeito que eu nunca tinha ficado. Fui contar para as pessoas o efeito disso”, disse. O caso ganhou grande repercussão nas redes sociais após uma discussão pública entre Carlinhos Maia e o influenciador Lucas Guedez. Na época, os dois trocaram acusações relacionadas ao episódio envolvendo o chamado “brisadeiro”, como o doce ficou conhecido na internet. Quando questionado pelo delegado sobre com quem dividiu a sobremesa diferenciada, o ex-marido de Lucas Guimarães foi objetivo e confirmou o nome: “Eu já falei publicamente. Entreguei foi para o Lucas Guedez”. Leia mais: Jojo Todynho procura delegacia após troca de ameaças com Malévola; “Medo” Galvão Bueno passa por cirurgias e fica fora da TV às vésperas da Copa “Goiânia não é praia”, disse delegado para Carlinhos Maia O delegado mencionou a entrevista que Carlinhos concedeu a Leo Dias, na qual o comunicador teria dito, no bate-papo, que descobriu como a personalidade da web teve acesso ao chamado “brisadeiro”. Maia se defendeu, afirmando que se tratava de uma fofoca e que não entraria no assunto, alegando que falou o que sabia até o momento. “O senhor assume que alguém deu o brigadeiro para o senhor, como acabou de dizer agora. Aqui não é praia, Goiânia não é praia, aqui é difícil o senhor encontrar. Inclusive, eu, que há muitos anos estou nessa profissão, é a primeira vez que ouço falar em ‘brisadeiro’, brigadeiro com maconha. Está certo que cada região do país tem sua cultura e sua forma de venda de drogas, mas aqui não tem praia e não é vendida essa substância desse jeito”, cravou Fernandes. Ainda assim, o influenciador se justificou, garantindo que foi apen

Prefeitura pede bloqueio de mansão de Renato Aragão por dívida de IPTU
Famosos

Prefeitura pede bloqueio de mansão de Renato Aragão por dívida de IPTU

O humorista Renato Aragão, eternizado pelo personagem Didi, pode ter uma mansão de luxo bloqueada pela Justiça por causa de uma dívida de IPTU superior a R$ 548 mil. A Prefeitura do Rio de Janeiro entrou com novos pedidos judiciais para garantir o pagamento da dívida relacionada ao imóvel localizado no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste da capital fluminense. A cobrança envolve débitos acumulados entre os anos de 2021 e 2023. A ação de execução fiscal foi aberta em dezembro de 2025. Segundo as informações, a mansão está avaliada em cerca de R$ 18 milhões e foi colocada à venda pelo humorista. Caso a Justiça aceite o pedido da prefeitura, o imóvel poderá ficar bloqueado temporariamente, impedindo qualquer negociação até a regularização da dívida. Leia mais: Galvão Bueno passa por cirurgias e fica fora da TV às vésperas da Copa Vini Jr. apaga foto com Virginia e aumenta rumores sobre relacionamento Renato Aragão não foi localizado Em janeiro deste ano, a juíza Katia Cristina Nascente Torres determinou que Renato Aragão fosse citado para quitar o débito no prazo de cinco dias. Uma carta foi enviada ao endereço do imóvel. No entanto, diante das dificuldades para localizar o humorista, a Prefeitura do Rio pediu novas medidas à Justiça, incluindo citação por oficial de Justiça e até mesmo citação por edital, caso ele não seja encontrado. A administração municipal também solicitou o arresto da mansão — mecanismo judicial usado para bloquear bens como garantia de pagamento de dívida. O caso segue em tramitação e aguarda a análise do juiz sobre os novos pedidos realizados pela administração municipal e, até o momento, Renato Aragão não comentou publicamente o caso.

Internacional

Corrupção, inflação e economia em queda desafiam Milei na Argentina

O governo do ultraliberal Javier Milei enfrenta o pior momento à frente da Argentina em meio a escândalos de corrupção, queda nos índices de popularidade e na atividade econômica e industrial.  A inflação, até então principal vitrine política da Casa Rosada, voltou a acelerar. Após reduzir a inflação mensal de dois dígitos, no final de 2023, para cerca de 2% ao mês, ao longo de 2025, os índices de preços voltaram a subir entre o final do ano passado e o início de 2026, chegando a 3,4% em março deste ano. A aceleração recente fez Milei reconhecer dificuldades econômicas publicamente. “O dado é ruim”, disse em uma rede social. Ao mesmo tempo, a atividade econômica na Argentina apresentou uma retração de 2,6% em fevereiro, se comparado a janeiro, com uma queda acumulada de 2,1% nos últimos 12 meses. Talvez a situação mais preocupante seja a queda na produção industrial, que registrou baixa de 4% em fevereiro, acumulando uma queda de 8,7% nos últimos 12 meses.   >> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp Plano econômico O professor de economia da Fundação Getulio Vargas de São Paulo (FGV-SP) Paulo Gala comentou que o plano econômico de Milei é “simplista” e não tem dado conta de reverter completamente à situação econômica que herdou. “As pessoas não confiam mais no peso (moeda argentina). Elas dolarizam (cotam em dólar) os contratos, um pouco parecido com o que aconteceu com o Brasil antes do Plano Real. Com isso, com qualquer coisa a inflação volta a acelerar. Reduzir o tamanho do Estado não resolve nada”, disse. O governo de Milei prega a redução do tamanho do Estado, com corte de gastos e austeridade fiscal, como medidas para conter a inflação e recuperar a economia. O economista Gala avalia que o plano de Milei não deve ir muito longe, argumentando que seriam necessárias outras medidas, como instituir uma nova moeda.  Ele destacou ainda que o peso argentino está sobrevalorizado, o que tem, segundo ele, destruído a indústria do país. “Esse mergulho da atividade manufatureira é fatal para o país porque esse setor é responsável por aumento de produtividade, por ganhos tecnológicos. Esse dado da indústria é muito ruim. Essa abertura comercial violenta que o Milei tem feito também destrói o pouco que restou de indústria na Argentina”, completou. Para o especialista, a tendência é a Argentina se desindustrializar cada vez mais, focando a economia apenas no setor agroexportador de matérias-primas.  “Não está descartado um cenário de recessão e, possivelmente, nova crise cambial com enorme dívida em dólares”, analisa Paulo Gala. A Argentina tem contraído novos empréstimos com bancos internacionais, em dólares, para segurar o valor do peso. Popularidade Além da situação econômica difícil, recentes casos de corrupção têm contribuído para a queda nos índices de popularidade do governo. Um dos exemplos é a investigação sobre suposto enriquecimento ilícito do chefe de gabinete de Milei, Manuel Adorni, que tem tido que se explicar sobre viagens de luxo e compra e reforma de imóveis supostamente incompatíveis com sua renda. As pesquisas de opinião têm registrado índices de desaprovação superiores a 60%, marcando os piores números desde que assumiu a Casa Rosada, em dezembro de 2023.  A da Atlas Intel do final de abril indicou uma reprovação de 63% da figura do Milei, com uma aprovação de 35%. A corrupção e o desempenho econômico são os fatores determinantes para a queda na popularidade.  Segundo a consultoria Zentrix, 66,6% da população avaliam que se “quebrou” a promessa “anti-casta” de combate à corrupção de Milei.   “A corrupção surge como o principal desafio do país, mesmo entre aqueles que votaram no partido governante em 2025, superando o desemprego, a inflação ou os salários”, diz a empresa de pesquisas de opinião. O cientista político argentino Leandro Gabiati explicou à Agência Brasil que Milei foi eleito muito em cima do discurso de combate à corrupção, o que tem sido desconstruído ao longo do mandato. “Esse governo colocou a pauta da corrupção como uma política de Estado. Quando se observa que há casos envolvendo alguns funcionários do governo, como é o caso do chefe de gabinete, que seria uma espécie de primeiro-ministro, isso aí afeta a imagem do governo, desgasta o governo e cria problemas”, explicou. Ao mesmo tempo, Gabiati diz que a população reconhece a conquista do governo de reduzir a inflação, porém, pondera que os preços continuam subindo. “Obviamente, essa inflação, que dá uns 30% a 40% ao ano, é uma inflação importante. Reduzir demandaria mais esforço, tanto da sociedade, quanto do governo”, diz o especialista. Mas o que tem jogado à favor do governo Milei é a desorganização e a desaprovação da população em relação à oposição ao governo da Argentina. “Isso aí quer dizer que o governo terá problemas na eleição presidencial de 2027? Isso é algo que ainda está muito longe no radar. O governo tem alguns problemas que terá que resolver agora, mas a oposição ainda permanece desorganizada e sem ser uma opção política clara para o eleitor argentino”, avalia. Em uma notícia positiva para o governo, a consultoria de riscos Fitch Rating elevou a nota de crédito da Argentina de CCC+ para B-, com perspectiva de estabilidade, ao reconhecer as melhorias na “situação fiscal” e na balança externa do país.  Em consequência, a bolsa de Buenos Aires opera em alta nesta quarta-feira (6). Porém, para o economista Paulo Gala, isso não muda o quadro geral da economia argentina. Imprensa Em meio a esse contexto, o governo Milei tem escolhido a imprensa como um dos seus alvos. No final de abril, o governo proibiu a entrada de jornalistas na Casa Rosada, prejudicando cerca de 60 profissionais que cobriam o Poder Executivo, em Buenos Aires. Algumas emissoras foram acusadas de filmarem áreas do edifício sem autorização, o que foi negado pelas empresas de mídia. Após críticas contra a medida, apontada como uma violação à liberdade de imprensa na Argentina, o governo reabriu a Casa Rosada para imprensa nesta segunda-feira (3), mantendo ainda restrições à circulação na sede do poder

Meio Ambiente

Justiça inglesa nega novo recurso de mineradora sobre caso Mariana

O Tribunal de Apelação da Inglaterra rejeitou nesta quarta-feira (6) uma nova tentativa de recurso da mineradora BHP sobre o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em 2015. Com isso, está mantida a decisão de novembro de 2025, quando o Tribunal Superior inglês responsabilizou a empresa anglo-australiana pelo desastre. Os juízes consideraram que a BHP, sócia da Vale na gestão da mineradora Samarco, operava a barragem e tinha conhecimento dos riscos antes do rompimento, o que mostrava negligência, imprudência e/ou imperícia. No dia 5 de outubro de 2025, a tragédia em Mariana completou dez anos. O rompimento da barragem de Fundão despejou cerca de 40 milhões de metros cúbicos de resíduos tóxicos e lama no rio Doce. Também atingiu municípios próximos e matou 19 pessoas. A BHP já havia tentado um primeiro pedido de recurso para reverter a condenação e esgotou a última via ordinária disponível no sistema inglês para contestar a sentença. Na decisão de hoje, o tribunal concluiu que não há razão convincente para que o recurso seja julgado. No sistema jurídico inglês, o direito de recorrer não é automático. A parte interessada primeiro precisa obter uma permissão para entrar com o recurso (permission to appeal). Com isso, está mantida a Fase 2 do processo, que examina as categorias de perdas e as provas para quantificar os danos sofridos pelas vítimas e fixar os valores de indenização. A audiência de julgamento desta fase está prevista para abril de 2027. O escritório de advocacia Pogust Goodhead, que representa as vítimas do caso Mariana na Inglaterra, comemorou a decisão desta quarta-feira. “O Tribunal de Apelação agora se uniu ao Tribunal Superior ao concluir que os fundamentos de apelação da BHP não têm perspectivas reais de sucesso. Um resultado enfático e inequívoco. A BHP é responsável pelo pior desastre ambiental da história do Brasil e não terá outra chance para reverter a decisão”, disse Jonathan Wheeler, sócio do escritório. “Nossos clientes esperaram mais de uma década por justiça, enquanto a BHP buscou todas as vias processuais para evitar a responsabilização. Essas vias agora estão fechadas. Estamos focados em garantir a indenização que centenas de milhares de brasileiros têm direito há muito tempo”, completou. Em nota, a BHP Brasil disse que “vem apoiando a Samarco para garantir uma reparação justa e integral” e que continuará com o processo de defesa na Inglaterra “de forma robusta e pelo tempo que for necessário”. Disse ainda que “permanece confiante de que o trabalho realizado desde 2015 e o Novo Acordo do Rio Doce, assinado em outubro de 2024, e que assegurou R$ 170 bilhões para a reparação, oferecem a solução mais rápida e eficiente para compensar os atingidos. Esse trabalho já garantiu pagamentos a mais de 625 mil pessoas”. Segundo a empresa, a Corte inglesa reconheceu em 2024 os programas de indenização e validou as quitações assinadas por aqueles que já receberam indenização integral: “cerca de 40% do total de reclamantes individuais na Ação no Reino Unido serão excluídos do processo, o que reduzirá de forma significativa o tamanho e o valor dos pedidos lá formulados”.   FONTE: AGENCIA BRASIL

Saúde

Tratamentos inadequados podem agravar asma em adultos, mostra estudo

Um levantamento realizado com cerca de 400 pacientes atendidos em Unidades Básicas de Saúde (UBS) mostrou que 60% dos adultos com asma apresentaram função pulmonar reduzida devido ao uso de tratamentos defasados, como o uso de bombinhas de resgate. No caso das crianças, o índice chegou a 33%.  Os dados foram revelados por uma pesquisa do Projeto CuidAR, conduzida pelo Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre (RS), em parceria com o Ministério da Saúde. A pesquisa demonstra que a maior parte das pessoas atendidas na Atenção Primária à Saúde (APS) é medicada com tratamentos não recomendados e, portanto, está sujeita a danos pulmonares significativos. Os broncodilatadores de curta ação (SABA), conhecidos como “bombinhas de resgate”, são usados como único medicamento para tratar pessoas com asma por mais da metade dos pacientes consultados. Estudo De acordo com o estudo do Projeto CuidAR, os adultos que apresentam função pulmonar reduzida não tiveram o dano revertido com a aplicação de broncodilatadores durante a espirometria, teste que avalia a capacidade pulmonar. O responsável técnico do estudo, pneumologista pediátrico Paulo Pitrez, confirma esse cenário. “Nosso estudo mostra que tanto crianças quanto adultos começaram o teste de função pulmonar com o pulmão funcionando abaixo do esperado antes de usar a bombinha. Após o remédio, um terço das crianças e a maioria dos adultos não conseguiram normalizar a função pulmonar, o que sugere que, em muitos casos, o dano ao pulmão já pode ser irreversível devido à falta de tratamento adequado ao longo dos anos,” aponta Pitrez. Atualmente, o tratamento recomendado para pessoas que têm asma exige o uso de um broncodilatador de longa ação (LABA), combinado com anti-inflamatórios de inalação. Contudo, Pitrez diz que grande parte das UBSs segue utilizando métodos defasados que focam no alívio momentâneo da doença. “É imperativo mudarmos esse paradigma, não só por meio da implementação de estratégias preventivas e farmacológicas atualizadas no SUS, mas também através da conscientização da população, que não deve ignorar a gravidade da doença, principalmente em um cenário de longo prazo,” afirma o médico. O estudo também quantifica que a falta de tratamento adequado afeta de forma negativa a vida da população com asma, que, no Brasil, concentra aproximadamente 20 milhões de pessoas, segundo a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. Ao longo dos últimos 12 meses, em média, 60% dos pacientes analisados perderam dias de estudo ou trabalho devido à asma. O absenteísmo atinge mais de 80% das crianças e adolescentes, e 50% dos adultos, afetando o aprendizado e a produtividade. Outro dado da pesquisa diz respeito à condição de saúde da população com asma. Quase 70% dos participantes relataram três ou mais crises recentes, quase metade precisou ir ao pronto-socorro e, entre esses, 10% foram hospitalizados. Segundo um estudo publicado no Jornal Brasileiro de Pneumologia, a mortalidade pela doença também tem crescido, resultando em uma média de seis mortes diárias no país. Expansão do projeto A pesquisa também propõe formas de reduzir as taxas de hospitalização e a implementação de um novo tipo de exame nos hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS). O estudo avalia a implementação de um dispositivo que mede o pico de fluxo expiratório dos pacientes no serviço público de saúde. O aparelho é chamado de Peak Flow e surge como uma alternativa viável à espirometria tradicional.  Segundo os pesquisadores, o dispositivo é de fácil manuseio e custa cerca de R$ 200, valor mais baixo que o do exame tradicional completo, que chega a custar R$ 15 mil. O Projeto CuidAR também procura reverter o quadro de atendimento inadequado nas UBSs por meio da educação continuada de profissionais da saúde.   *Estagiário da Agência Brasil sob supervisão de Odair Braz Junior FONTE: AGENCIA BRASIL

Avião cai, se choca em prédio e deixa pelo menos dois mortos em BH; vídeo
Brasil

Polícia apura se suposto excesso de peso pode ter contribuído com acidente aéreo em BH

Essa é uma das linhas de investigação adotadas pela polícia, com apoio do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), sobre o acidente aéreo que deixou três mortos e dois feridos na capital mineira. A corporação estadual afirma que conduz depoimentos de testemunhas, exames periciais e análise de imagens para subsidiar o inquérito policial, que tem prazo inicial de término em 30 dias, mas pode ser prorrogado. O Cenipa diz que a investigação será concluída no menor prazo possível, considerando a complexidade da ocorrência e a necessidade de identificar o que pode ter contribuído para o acidente. O piloto Wellinton Oliveira, 34, uma das vítimas, declarou emergência grave, usando a expressão aeronáutica mayday, antes da colisão da aeronave. Em razão de dificuldades em manter a subida, o avião perdeu potência pouco tempo depois da decolagem. A delegada Andrea Pochman, que conduz as investigações, afirmou que há indícios de problemas já na decolagem. “As informações que temos de uma testemunha é de que, no próprio aeroporto da Pampulha, a decolagem já não foi correta, que já estava perdendo altitude”, disse a delegada, ainda na última segunda. O avião é de matrícula PT-EYT e tem situação normal de aeronavegação, segundo o RAB (Registro Aeronáutico Brasileiro). A aeronave é do modelo NEIVA EMB-721C, foi fabricada em 1979 e está em situação legalizada. Raul Marinho, diretor técnico da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), afirma que o peso costuma ser um fator de atenção para a maioria das aeronaves leves, uma vez que a capacidade de carga é limitada nesses modelos. Ele diz que na operação de táxi aéreo as bagagens precisam ser pesadas com uma balança, mas que na aviação privada -caso do acidente na capital mineira- a maioria dos pilotos faz um cálculo baseado no tamanho das malas e na quantidade de pessoas. “Mas a parte crucial é o peso do combustível. Então você tem que avaliar o quanto está carregando de combustível para fazer os cálculos”, afirma Marinho. Essa informação da pesagem precisa ser registrada pelo piloto no manifesto de carga, documento que pode ser digital ou impresso. O Regulamento Brasileiro de Aviação Civil, da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), diz que o manifesto de carga precisa conter número exato de passageiros e o peso total da aeronave carregada, além do peso máximo de decolagem permitido. Se o piloto optar pela versão impressa, deve levar uma via até o destino, enquanto a outra permanece em solo até o fim do voo, diz a Anac. O avião envolvido no acidente tem capacidade para até seis ocupantes – sendo um piloto e até cinco passageiros – e peso máximo de decolagem de 1.633 quilos. Cinco pessoas estavam na aeronave no momento do acidente desta segunda-feira. O operador atual do avião é a empresa Inet Telecomunicações, de Teófilo Otoni (MG), que ingressou com processo de transferência de propriedade da aeronave para a companhia em março deste ano, conforme a Anac. A aeronave deixou Teófilo Otoni na manhã da última segunda (4) e pousou no aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, onde duas passageiras desembarcaram e um homem embarcou, com destino a São Paulo. O local da queda é 3,9 quilômetros distante da cabeceira 31, a mais próxima da avenida Cristiano Machado. Além do piloto, também morreram Fernando Moreira Souto, 36, e Leonardo Berganholi Martins, 50. Os outros dois feridos são Arthur Schaper Berganholi, 25, filho de Leonardo, e Hemerson Cleiton Almeida Souza, 53. Eles seguem internados no Hospital João 23, referência no atendimento a traumas em Belo Horizonte. Leia Também: Moradores de prédio atingido por avião em BH são liberados para voltar para apartamentos

Vítima de ataque de aluno em escola é velada na própria casa no Acre
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Vítima de ataque de aluno em escola é velada na própria casa no Acre

Dona Zena, como era conhecida, trabalhava no colégio havia 19 anos. Ela deixa dois filhos e seis netos. Uma das filhas, Taciane, está grávida de nove meses. Casado com Alzenir há 33 anos, Roberto Silva descreveu a esposa como insubstituível e carinhosa. “Ela era minha base, era meu tudo, era manutenção de tudo que eu fazia”, contou. “Era uma boa mãe, uma boa avó, uma ótima esposa. Nenhuma pessoa vai substituir ela, nem chega nem nos pés dela. Está para nascer uma pessoa igual ela”. Silva disse ainda que semanas atrás a esposa comentou sobre uma suposta ameaça de ataque à escola, mas o assunto caiu no esquecimento: “Ela comentou. Faz tempo, passou e deu como esquecimento, que dava para ter tomado providências a escola”, pontuou. Ele não detalhou quais seriam as circunstâncias da ameaça e quem a teria feito. Sobrinha de Alzenir, Tayla Albuquerque falou da tia, com quem esteve horas antes da tragédia. “Ela sempre estava comigo, principalmente agora que a minha avó, a mãe dela, está doente. Ela vinha aqui em casa um dia sim, outro não. Todos os domingos ela tava aqui fazendo almoço.” O sepultamento está previsto para ocorrer no cemitério São João Batista, em Rio Branco. O governo estadual exonerou o padrasto do adolescente. A pistola utilizada pertence ao homem, segundo as investigações. Ele ocupava um cargo em comissão. Em nota, a defesa do padrasto afirmou que o adolescente teve acesso indevido à arma de fogo, “sem autorização ou conhecimento prévio”, e que o investigado “não teve qualquer participação, incentivo ou anuência” nos atos praticados pelo enteado. Já o velório da outra vítima, Raquel Sales Feitosa, 37, ocorre na capela de uma funerária, no bairro Bosque, em Rio Branco. Familiares e amigos do curso de enfermagem, onde ela estudava, prestaram várias homenagens. Raquel cursava o 7º período do curso, que funciona na mesma escola onde ocorreu a tragédia. Vestidos de branco, os colegas levaram o jaleco que ela usava nas aulas e cantaram a música religiosa “Noites Traiçoeiras” ao lado do caixão dela. Casada com Gilvan Feitosa, Raquel deixa o filho Artur, 7. Ela conciliava o trabalho de coordenadora de ensino com a faculdade de enfermagem, que funciona no mesmo prédio onde a tragédia aconteceu. Rachel se formaria em dezembro deste ano. “O sentimento é de tristeza e de revolta pelo acontecido, uma situação que a gente jamais esperava que acontecesse na nossa instituição. E a Raquel era uma menina muito dedicada, trabalhava durante o dia e à noite era aluna de enfermagem”, disse o professor e amigo de Raquel, Arialdo Santana. Ela deve ser sepultada também pela tarde no cemitério Morada da Paz. Leia Também: Ataque a tiros em escola deixa duas pessoas mortas e duas feridas em Rio Branco (AC)

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