Nenhuma aposta acertou os seis números do concurso 3.011 da Mega-Sena, realizado na noite desta terça-feira (26), no Espaço da Sorte, em São Paulo. Com isso, o prêmio acumulou e chegará a R$ 6 milhões no próximo concurso, cujo sorteio será realizado na próxima quinta-feira, 28 de maio . As dezenas sorteadas foram as seguintes: 02 – 05 – 27 – 36 – 40 – 60 A quina teve 16 apostas ganhadoras, cada uma vai receber R$ 54.125,58. Já a quadra registrou 1.509 apostas vencedoras e cada acertador vai receber o prêmio de R$ 945,98. A aposta simples, com seis números marcados, custa R$ 6. FONTE: AGENCIA BRASIL
A Frente Parlamentar Mista para a Promoção da Saúde Mental apresentou, nesta terça (26), projeto de lei para tramitar, de forma simultânea, na Câmara dos Deputados (2478) e no Senado Federal (2470) a fim proibir anúncio, propaganda e patrocínio de Bets (apostas esportivas) no Brasil. A proposta conta com o apoio de 20 deputados federais e sete senadores. O projeto batizado de “Brasil Contra as Bets” reúne parlamentares de diferentes partidos e matrizes ideológicas. Um exemplo é que, na apresentação da proposta, a deputada Benedita da Silva (PT-RJ) esteve ao lado da senadora Damares Alves (Republicanos-DF). O presidente da Frente Parlamentar de Promoção de Saúde Mental, deputado Pedro Campos (PSB-PE), disse, à Agência Brasil, esperar que o projeto tramite ainda neste ano no Congresso Nacional com celeridade. “As pessoas estão sobrecarregadas, inclusive, com a publicidade das bets de maneira geral. Para além do problema do jogo e do adoecimento das pessoas, do endividamento das famílias, a própria publicidade excessiva é algo que tem incomodado a população”, afirmou. No entanto, o parlamentar ponderou que a proposta deve enfrentar a força do setor do Legislativo. “Mas nós já vimos, em outras oportunidades, que o plenário da Câmara representa a visão da sociedade brasileira”. Alto risco O projeto aponta a necessidade de medidas relacionadas ao fortalecimento do tratamento da ludopatia no Sistema Único de Saúde (SUS) e limitações para modalidades de apostas consideradas de alto risco de dependência. No evento, representantes do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) apontaram que os danos associados às apostas online podem gerar custos superiores a R$ 38 bilhões anuais no Brasil, incluindo as necessidades de tratamento de saúde mental, como a incidência de endividamento familiar, ansiedade, depressão e exposição de crianças e adolescentes à publicidade massiva das plataformas digitais. Pedro Campos destacou a estimativa de que 12 milhões de brasileiros já apresentam algum comportamento de risco no jogo. “Mais de um milhão de brasileiros já têm um diagnóstico de transtorno do jogo”, lamentou. Ele criticou ainda que até comentaristas de jogos de futebol oferecem dicas sobre como apostar nas partidas. “Isso é um absurdo sem tamanho”, disse. O Brasil tem atualmente 80 empresas que são regulares para a execução de jogos e apostas, mas estima-se que há também um mercado irregular. O deputado ainda recordou que o País celebra os 25 anos da reforma antimanicomial no Brasil. “Nós precisamos, de uma vez por todas, nos livrar desses manicômios digitais contemporâneo”. “Lobby poderoso” A deputada Tabata Amaral (PSB-SP) acrescentou que o País nunca enfrentou um lobby tão bem financiado e estruturado. “A gente está tratando de algo que está adoecendo a população brasileira. Pouquíssimas vezes eu vi um lobby tão efetivo e unido de recursos”. A parlamentar alertou que devem haver denúncias de empresas de bet financiando campanhas eleitorais e programas partidários. No evento, a senadora Damares Alves disse que está otimista para aprovação do projeto, como ocorreu com o da licença paternidade neste ano. Ela disse que recebeu um relatório informando que 41% dos evangélicos estão jogando em apostas online. “E dos 41%, 35% contraíram dívidas”, alertou. Autoexclusão O Ministério da Saúde divulgou também, nesta terça, que mais de 574 mil pessoas já recorreram a uma plataforma de autoexclusão, criada pelo governo federal, no final do ano passado, que permite o bloqueio voluntário e simultâneo de todas as casas de apostas em uma única solicitação, ligada ao CPF da pessoa. “Do total de cadastrados, 207 mil usuários (41%) apontaram a perda de controle sobre o jogo e os impactos na saúde mental como principal motivo para a autoexclusão”, diz a nota do governo. Além do bloqueio simultâneo, a autoexclusão impede novos cadastros e suspende o envio de publicidade direcionada sobre o assunto. Durante o processo, os usuários podem definir por quanto tempo desejam permanecer fora das casas de apostas. FONTE: AGENCIA BRASIL
Coxim (MS): A Polícia Militar realizou o cumprimento de um mandado de prisão na tarde desta quinta-feira (21), em Rio Verde de MT/MS. A ação ocorreu durante a tarde, na Rua Antonio Raposo, após a equipe policial receber informações de que havia um mandado de prisão em aberto em desfavor de um homem de 38 anos. Diante das informações, os policiais militares se deslocaram até o endereço indicado, onde lograram êxito em localizar o autor. Contra ele foi confirmado o mandado de prisão. O autor foi preso e encaminhado para a Delegacia de Polícia Civil para as providências cabíveis. Assessoria de Comunicação Social – 5º BPM
Uma disputa judicial relacionada a composições atribuídas à cantora Marília Mendonça ganhou um novo capítulo após decisão que alterou os efeitos financeiros do processo. O empresário Pedro Barbosa, que anteriormente havia obtido resultado favorável na ação, poderá ter de arcar com novos custos após recurso apresentado pela defesa ligada ao espólio da artista. O caso envolve a comercialização de músicas compostas por Marília ainda na adolescência e passou por diferentes etapas judiciais nos últimos anos. Segundo informações divulgadas pelo jornalista Matheus Baldi, o cenário foi modificado após análise de recurso apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Foto: Divulgação Caso envolve negociação de composições feitas na adolescência De acordo com as informações relacionadas ao processo, a controvérsia teve origem na venda de seis composições atribuídas à cantora quando ela tinha 13 anos. Em 2017, Pedro Barbosa adquiriu os direitos exclusivos dessas músicas pelo valor de R$ 1 mil por composição. Leia também: Iza compartilha primeira foto ao lado do novo namorado João Vitor Silva Posteriormente, surgiu o questionamento judicial sobre duas dessas canções, que teriam sido negociadas novamente para o cantor Lucas Lucco sem autorização do empresário. A partir disso, foi iniciada a disputa sobre eventual reparação financeira relacionada aos direitos das obras. Foto: Divulgação Decisão inicial foi favorável ao empresário Em decisão proferida anteriormente, a Justiça reconheceu o direito de indenização ao empresário e determinou que o espólio da cantora realizasse o pagamento de R$ 10 mil por composição envolvida. Com a incidência de juros e atualização monetária, o valor total ultrapassaria R$ 185 mil. Entretanto, o empresário recorreu buscando ampliar o montante da condenação para aproximadamente R$ 1,8 milhão. Em resposta, a defesa vinculada ao espólio contestou o pedido e sustentou que o valor solicitado seria desproporcional em relação aos parâmetros definidos anteriormente. Foto: Divulgação Recurso altera efeitos financeiros do processo Segundo as informações divulgadas, a instância superior acolheu o recurso apresentado pela defesa. Com isso, houve definição para pagamento dos honorários advocatícios relacionados ao processo, fixados em aproximadamente R$ 500 mil. Dessa forma, o empresário poderá ter um custo adicional superior ao que havia sido projetado anteriormente durante o andamento da ação. O caso segue como um dos desdobramentos judiciais relacionados à administração patrimonial e aos direitos autorais vinculados ao legado artístico de Marília Mendonça.
O recente vazamento de dados no sistema do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) atingiu 2,8 milhões de Cadastro de Pessoas Físicas (CPFs), informou nesta terça-feira (26) a Dataprev, estatal responsável pelo processamento de informações da Previdência Social. As informações foram divulgadas na reunião do Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS). Segundo a empresa, cerca de 98% dos dados acessados pertenciam a pessoas já falecidas. Ainda assim, aproximadamente 52 mil segurados vivos tiveram informações expostas durante o incidente de segurança ocorrido em abril. O número divulgado agora é superior à estimativa inicial apresentada por técnicos do Instituto Nacional do Seguro Social, que mencionava cerca de 2 milhões de registros afetados. Dados vazados A estatal explicou que um mesmo CPF pode ter sido consultado mais de uma vez, o que ajuda a explicar o volume elevado de acessos registrados. Segundo a empresa, não houve liberação indevida de benefícios nem contratação automática de empréstimos consignados. Falha no sistema A investigação preliminar aponta que o problema ocorreu por causa de uma falha no sistema do aplicativo Meu INSS. Segundo Edmar dos Santos Ferreira Junior, representante da Dataprev no CNPS, uma área que deveria exigir login estava acessível sem autenticação. “Era uma consulta que estava dentro de uma interface logada, mas ela aceitava uma resposta para quando você estivesse em um ambiente público”, afirmou. O incidente, segundo ele, durou apenas um dia. Correção imediata A Dataprev informou que o erro foi corrigido assim que identificado. A empresa afirmou ainda que desenvolve novas barreiras de segurança para impedir consultas simultâneas em massa. “Como medida de proteção adicional, a Dataprev implementou novos controles de segurança com limites de acesso”, informou a estatal. Em nota, o INSS informou que a concessão de benefícios possui diferentes etapas de validação e segurança. “A concessão de qualquer benefício possui uma série de travas de segurança. O INSS tem reforçado seus controles internos a fim de oferecer maior segurança à análise de seus benefícios”, afirmou a autarquia. Caso revelado O vazamento foi identificado em 22 de abril, mas tornou-se público apenas na semana passada. Segundo a Dataprev e o INSS, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) foi acionada logo após a descoberta do problema. O caso levantou preocupação entre especialistas em segurança digital por causa da quantidade de dados expostos. Risco de fraude Embora o governo afirme que não houve concessão irregular de benefícios, especialistas alertam que informações vazadas podem ser usadas em golpes e fraudes financeiras. O banco de dados do INSS reúne informações pessoais de aposentados, pensionistas e beneficiários de programas sociais, incluindo vínculos empregatícios e dados cadastrais. Histórico recente Essa não é a primeira falha de segurança envolvendo sistemas do INSS. Em 2024, o instituto confirmou outro incidente que expôs informações sigilosas de aposentados e beneficiários de programas assistenciais. Na ocasião, o governo também afirmou ter reforçado os mecanismos de proteção dos sistemas previdenciários. FONTE: AGENCIA BRASIL
O jornalista e apresentador Pedro Bial revelou qual considera ter sido a entrevista mais difícil de sua trajetória profissional. Durante participação em conversa com Rita Loboele recordou um encontro realizado com Tom Jobim em 1985 e afirmou que ainda se sente desconfortável ao lembrar do momento. Segundo Bial, o episódio ocorreu durante uma entrevista realizada no Catetinho, em Brasília. O local ficou conhecido por ter servido de inspiração para a composição da canção “Água de Beber”. Ao comentar o encontro, o jornalista afirmou que tentou fazer uma associação com o título da música durante a conversa, mas recebeu uma resposta que mudou o rumo da entrevista. Foto: Divulgação Pergunta gerou reação imediata do músico De acordo com o relato feito por Pedro Bial, ele perguntou ao artista: “E aí, Tom? Foi água de beber?”. Segundo o jornalista, a tentativa de criar um momento descontraído não surtiu o efeito esperado. Conforme relembrou, Tom Jobim respondeu que já estava cansado de falar sobre a música. Leia também: Iza compartilha primeira foto ao lado do novo namorado João Vitor Silva Bial descreveu o episódio como um momento marcante de sua carreira e afirmou que considera aquela entrevista um erro na condução da conversa. Foto: Divulgação Durante o relato, o apresentador declarou que ainda se recorda da situação com desconforto e classificou o episódio como uma lembrança difícil da trajetória profissional. Jornalista afirmou que nunca havia contado o episódio Ao comentar o caso, Pedro Bial afirmou que nunca havia relatado publicamente essa experiência. Segundo ele, o motivo foi o sentimento de constrangimento em relação à forma como conduziu a entrevista naquele momento da carreira. O jornalista também comentou que, apesar da situação registrada na ocasião, o episódio não gerou afastamento posterior em relação ao legado do músico. Foto: Divulgação Relação com obra de Tom Jobim permanece presente Anos depois do encontro ocorrido em Brasília, Pedro Bial voltou a se aproximar do universo artístico ligado ao compositor. Atualmente, o jornalista atua na direção de uma série documental dedicada à trajetória e à obra de Tom Jobim. A produção tem previsão de lançamento até o fim deste ano. Por fim, o relato trouxe à tona um episódio pouco conhecido da carreira do comunicador e recuperou um momento envolvendo um dos nomes da música brasileira.
Quatro em cada dez idosos que vivem em áreas urbanas relatam medo de cair por causa de defeitos em calçadas, passeios ou vias públicas próximas de suas casas. O receio é maior entre as mulheres cujo índice chega a 50,5%. Entre os homens, o percentual é de 31,9%. O temor de sofrer quedas por problemas na infraestrutura urbana varia também conforme a idade: atinge 35,2% das pessoas entre 60 e 69 anos, sobe para 47,1% entre 70 e 79 anos e alcança 63,1% entre aqueles com 80 anos ou mais. Os dados foram apresentados pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) durante a divulgação dos resultados da terceira onda do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos (Elsi-Brasil). A pesquisa aponta que fatores urbanos e estruturais impactam diretamente a mobilidade, a autonomia e a qualidade de vida na terceira idade, mostrando que envelhecer no país envolve desafios que vão muito além da ausência de doenças. A violência urbana também gera insegurança contínua. O estudo mostra que 12,1% dos idosos brasileiros consideram a vizinhança muito insegura. Esse percentual representa aproximadamente 3,8 milhões de pessoas vivendo em contextos marcados pelo medo e pela vulnerabilidade social. A percepção aparece de forma homogênea entre homens e mulheres de diferentes idades, afetando diretamente a saúde mental e a circulação social desse grupo. Hipertensão A hipertensão arterial sistêmica segue como uma das condições clínicas mais preocupantes na terceira idade. A pesquisa realizou a aferição domiciliar da pressão arterial e identificou que 34,4% dos idosos apresentam níveis compatíveis com a doença (pressão igual ou superior a 14 por 9). O registro equivale a cerca de 11 milhões de brasileiros que necessitam de acompanhamento médico para prevenir infartos, acidentes vasculares cerebrais (AVC), insuficiência renal e demência vascular. A prevalência da hipertensão aumenta progressivamente com o tempo: afeta 31,9% das pessoas entre 60 e 69 anos e chega a 40,1% entre os indivíduos com 80 anos ou mais. Não houve diferenças significativas nos índices entre homens e mulheres. Como a hipertensão frequentemente é assintomática, os pesquisadores destacam a importância do rastreamento regular na atenção primária para evitar o subdiagnóstico e possíveis complicações da doença. Mobilidade A perda da capacidade funcional é outro eixo central do relatório. Os resultados apontam que 20,4% dos idosos brasileiros (cerca de 6,5 milhões de pessoas) têm dificuldade para realizar pelo menos uma atividade básica diária, como se vestir, tomar banho, comer, usar o banheiro ou levantar da cama. A limitação funcional afeta 23,1% das mulheres e 17% dos homens. A progressão por idade avança de 13,9% (entre 60 e 69 anos) para 44,2% (no grupo com 80 anos ou mais). A rede de apoio a essas pessoas também apresenta fragilidades graves: Apenas 37,9% dos idosos com limitações diárias recebem ajuda para suas atividades Somente 5,8% dos cuidadores relataram ter recebido algum tipo de treinamento para a função Esse cenário evidencia a ausência de políticas estruturadas para suporte a cuidadores familiares e aponta para a necessidade urgente de serviços de cuidado de longa duração e apoio domiciliar. Papel do SUS Os resultados reafirmam ainda o papel central do Sistema Único de Saúde (SUS) como principal base de cuidado para a população idosa brasileira. Cerca de dois terços das pessoas com 60 anos ou mais dependem exclusivamente do SUS para cuidados de saúde. A Estratégia Saúde da Família (ESF) atende 69,2% dos idosos brasileiros, o que representa o acompanhamento de 22,2 milhões de pessoas. A coordenação do estudo afirma que o SUS e a ESF são estruturas essenciais para promover o envelhecimento saudável em um cenário nacional marcado por desigualdades socioeconômicas. “Os dados reforçam evidências de que o SUS e a ESF constituem estruturas essenciais para a promoção do envelhecimento saudável, especialmente em um país marcado por desigualdades sociais e econômicas”, afirma a coordenadora do Elsi-Brasil, Maria Fernando Lima-Costa. Painel O novo painel de indicadores lançado pelo Elsi-Brasil permitirá o acesso público e ampliado a informações detalhadas sobre as múltiplas dimensões do envelhecimento. A ferramenta digital foi criada para apoiar gestores públicos, cientistas e profissionais de saúde no monitoramento contínuo das demandas da população idosa. A plataforma está alinhada à Década do Envelhecimento Saudável (2021-2030) da ONU e adota um conceito ampliado sobre envelhecimento, que incorpora dimensões como autonomia, segurança e bem-estar ambiental como pilares da saúde. O Elsi-Brasil integra o grupo das principais pesquisas globais sobre o tema e adota uma metodologia harmonizada internacionalmente. A primeira onda da pesquisa ocorreu em 2015-2016, a segunda em 2019-2021 e a terceira compreendeu o período de 2023-2024. Matéria republicada às 15h do dia 28 de maio FONTE: AGENCIA BRASIL
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), apresentou nesta terça-feira (26), os resultados da terceira onda do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos (Elsi-Brasil). Esta é considerada uma das mais abrangentes pesquisas nacionais sobre envelhecimento no país. A iniciativa inédita disponibilizará, em uma plataforma online, cerca de 100 indicadores relacionados à saúde da população com 60 anos ou mais, abrangendo diferentes aspectos, como condições de vida, funcionalidade, ambiente social e acesso a políticas públicas, entre outros. Entre os resultados há indicadores que revelam que fatores urbanos, sociais e estruturais têm papel decisivo na qualidade de vida da população idosa, mostrando que envelhecer no Brasil envolve desafios muito além da ausência de doenças. Um dos aspectos diz respeito à percepção do ambiente urbano: 42,7% dos idosos que vivem em áreas urbanas relatam medo de cair por causa de defeitos em calçadas, passeios ou vias públicas próximas de suas casas. O percentual expõe um problema estrutural que afeta diretamente mobilidade, autonomia e participação social. Entre as mulheres idosas, esse índice chega a 50,5%, enquanto entre os homens é 31,9%. A preocupação também aumenta com a idade: atinge 35,2% das pessoas entre 60 e 69 anos, sobe para 47,1% entre 70 e 79 anos e alcança 63,1% entre aqueles com 80 anos ou mais. “Os dados reforçam a urgência de políticas públicas voltadas à adaptação das cidades para uma população cada vez mais envelhecida, incluindo acessibilidade, segurança viária, mobilidade e planejamento urbano inclusivo”, avalia a coordenadora do Elsi-Brasil, pesquisadora Maria Fernanda Lima-Costa. A insegurança é outro ponto destacado na pesquisa. O estudo mostra que 12,1% dos idosos brasileiros consideram a vizinhança onde vivem muito insegura em relação à violência e criminalidade. Em números absolutos, isso representa aproximadamente 3,8 milhões de pessoas idosas vivendo em contextos marcados pelo medo e pela vulnerabilidade social. A percepção aparece de forma relativamente homogênea entre homens e mulheres e entre diferentes faixas etárias, indicando que a violência urbana é um problema transversal e disseminado, com impacto direto sobre a qualidade de vida, a saúde mental e a circulação social dessa população. Hipertensos A prevalência da hipertensão aumenta progressivamente com a idade: 31,9% entre 60 e 69 anos, chegando a 40,1% entre pessoas com 80 anos ou mais. Diferentemente de outros indicadores, não houve diferenças significativas entre homens e mulheres, o que reforça o caráter generalizado da condição. Como a hipertensão frequentemente é assintomática, os pesquisadores destacam a importância do rastreamento regular e do fortalecimento da atenção primária para evitar subdiagnóstico e complicações. Mobilidade A perda da capacidade funcional aparece como outro eixo central do estudo. Os resultados apontam que, 20,4% dos idosos brasileiros apresentam dificuldade para realizar ao menos uma atividade básica da vida diária, como se vestir, tomar banho, comer, usar o banheiro ou levantar da cama. De acordo com a pesquisadora, este fato significa que cerca de 6,5 milhões de pessoas vivem com algum grau de limitação funcional, condição que impacta não apenas sua autonomia, mas também suas famílias, cuidadores e os sistemas de saúde e assistência social. Maria Fernanda disse ainda que “a diferença do resultado conforme o gênero novamente se destaca: 23,1% das mulheres apresentam limitação funcional, contra 17% dos homens. A progressão por idade é ainda mais contundente: a prevalência passa de 13,9%, entre pessoas de 60 a 69 anos, para 44,2% entre idosos com 80 anos ou mais”, explicou. Falta de apoio Os dados também revelam fragilidades importantes na rede de apoio. Entre os idosos que apresentam dificuldades para realizar uma ou mais atividades da vida diária, apenas 37,9% recebem ajuda. Essa proporção aumenta gradualmente com a idade (de 24,1% para 38,1% e 55,4% entre aqueles com 60 a 69, 70 a79 e 80 anos ou mais, respectivamente). Falta também treinamento para aqueles que prestam cuidados: somente 5,8% dos cuidadores relataram ter recebido algum tipo de treinamento, evidenciando a ausência de políticas estruturadas para formação e suporte a cuidadores familiares ou informais. Esse cenário aponta para a necessidade urgente de políticas integradas de cuidado de longa duração, apoio domiciliar e qualificação daqueles que prestam cuidados. Os resultados reafirmam ainda o papel central do Sistema Único de Saúde (SUS) como principal base de cuidado para a população idosa brasileira. Cerca de dois terços das pessoas com 60 anos ou mais têm o SUS como única fonte de atenção à saúde. A cobertura é semelhante entre homens e mulheres e sofre apenas discreta redução nas faixas etárias mais elevadas. A Estratégia Saúde da Família (ESF), uma das principais políticas de atenção primária do SUS, também se destaca: 69,2% dos idosos brasileiros estão vinculados a essa iniciativa, o que representa cerca de 22,2 milhões de pessoas. “Os dados reforçam evidências de que o SUS e a ESF constituem estruturas essenciais para a promoção do envelhecimento saudável, especialmente em um país marcado por desigualdades sociais e econômicas”, afirma a coordenadora do Elsi-Brasil. Painel O painel de indicadores sobre envelhecimento, disponível na plataforma do Eisi-Brasil e lançado junto com a apresentação dos resultados da terceira onda da pesquisa, permitirá acesso público e ampliado a informações sobre múltiplas dimensões do envelhecimento no país. A ferramenta foi criada para apoiar pesquisadores, gestores públicos, profissionais de saúde e sociedade civil no monitoramento contínuo das condições de vida e necessidades da população idosa brasileira. Alinhado à proposta da Década do Envelhecimento Saudável (2021-2030), instituída pela Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), o painel adota uma visão ampliada sobre envelhecimento, que vai além da ausência de doenças e incorpora dimensões como autonomia, capacidade funcional, segurança e condições ambientais como pilares essenciais para o bem-estar nas idades mais avançadas. Segundo os pesquisadores, a plataforma representa um instrumento decisivo para enfrentar, com rapidez e integração, os desafios impostos pelo envelhecimento da população brasileira. A primeira pesquisa sobre a saúde dos idosos foi realizada em 2015-2016, a segunda em 2019-2021 e a terceira em 2023-2024. Com metodologia harmonizada internacionalmente, o Elsi-Brasil integra o grupo das principais pesquisas globais sobre envelhecimento e posiciona o Brasil como
As empresas de transporte coletivo urbano e rodoviário de passageiros terão o dobro do tempo para quitar os financiamentos do programa Move Brasil. Em reunião extraordinária, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou nesta terça-feira (26) a extensão do prazo das linhas de crédito de 60 meses (cinco anos) para 120 meses (dez anos). Segundo o Ministério da Fazenda, a medida busca acelerar a renovação da frota nacional de transporte coletivo, reduzir o custo das parcelas e estimular investimentos em veículos mais modernos e menos poluentes. As operações continuam com carência de até seis meses para o início do pagamento do principal da dívida. Na prática, isso significa que empresas de transporte terão mais tempo para quitar os financiamentos, o que reduz o valor das parcelas mensais. Justificativa Em nota, a Fazenda justificou a mudança pela necessidade de atender à demanda do setor. Segundo a pasta, o prazo antigo de cinco anos era considerado curto para um setor que depende de veículos caros e enfrenta dificuldades financeiras frequentes. Como funciona Lançado no início do mês, o Move Brasil é um programa federal criado para financiar a compra de veículos de transporte, como: Ônibus urbanos Micro-ônibus Caminhões Caminhões-tratores Implementos rodoviários Os recursos são usados principalmente para renovar frotas antigas e incentivar veículos mais eficientes. O Move Brasil tem R$ 14,5 bilhões em recursos autorizados pela Medida Provisória 1.353, de 2026. Quem pode pedir As novas condições valem para: Empresários individuais do setor Empresas de transporte urbano Empresas de transporte rodoviário de passageiros. O financiamento é contratado por meio de bancos e instituições financeiras credenciadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Essas instituições assumem integralmente o risco das operações. Com mais prazo para pagamento, a expectativa é: Diminuir o valor das prestações Ampliar a capacidade de investimento das empresas Acelerar a troca de ônibus antigos Melhorar a mobilidade urbana. Sem novos gastos O Ministério da Fazenda informou que a mudança não altera as taxas de juros do programa. Segundo a pasta, a ampliação do prazo também não cria impacto fiscal adicional além do subsídio previsto originalmente. O que é CMN O Conselho Monetário Nacional é o órgão responsável por definir as principais regras do sistema financeiro brasileiro. Presidido pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, o colegiado também é formado pelo presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, e pelo ministro do Planejamento, Bruno Moretti. FONTE: AGENCIA BRASIL
SÃO PAULO, SP () – O roteirista espanhol Javier Gómez Santander, chefe dos roteiristas de “La Casa de Papel”, da Netflix, ajudou a escrever uma das séries de língua não inglesa mais populares do planeta, vista em dezenas de países, transformada em fenômeno global, estendida por cinco temporadas e desdobrada em derivados. Ainda assim, a circulação da obra não se traduz em remuneração em todos os mercados onde ela é exibida. Do Brasil, por exemplo, ele nunca recebeu nada. “Sei que a série foi muito vista em toda a América Latina e não recebemos de nenhum país. O que me parece mais preocupante é que os criadores brasileiros não tenham direitos”, disse ele à Folha nesta terça, no Rio2C. Convidado da Gedar (Gestão de Direitos de Autores Roteiristas) para participar do evento carioca, Javier sobe ao palco GlobalStage, na Cidade das Artes, nesta quarta-feira (27), às 10h, no painel “O Valor da Criação”. Ele divide o painel com a diretora francesa Noémie Saglio, o roteirista brasileiro Cauê Laratta e André Mielnik, presidente da entidade. A discussão parte de uma pergunta que parece simples: quanto vale uma obra depois que ela continua circulando por anos em plataformas e emissoras? Javier diz que “La Casa de Papel” gerou pagamentos para ele em países como Espanha, França, Itália, Bélgica e Polônia, mas não em mercados como Brasil ou outros países latino-americanos. Mas ele evita transformar isso numa reclamação pessoal. Para ele, o problema não é deixar de receber por uma série específica. O problema é o modelo brasileiro. “Desse jeito, tanto faz se você faz uma série assistida por uma pessoa ou por 1 milhão”, afirma. “Alguém vai ganhar muito dinheiro com isso e não vai ser você.” A discussão aparece num momento em que entidades do setor tentam avançar no Projeto de Lei 4.968/2024, que atualiza regras de direitos autorais para o ambiente digital e prevê mecanismos de remuneração pela circulação online das obras. Em geral, o roteirista brasileiro recebe um valor na entrega do texto e nunca mais. Segundo dados divulgados pela Gedar, 85% afirmaram nunca ter recebido remuneração posterior pela exibição de suas obras. Apenas 2% disseram receber sempre direitos de exibição e 27,5% falaram que vivem exclusivamente de escrever roteiro. Os números vieram de pesquisa feita pela Associação Brasileira de Autores Roteiristas (Abra), baseada em 584 respostas entre cerca de mil associados. Para o presidente da Gedar, André Mielnik, o caso do roteirista espanhol ajuda a explicar uma distorção maior. “O exemplo do Javier é muito interessante. O Brasil é uma das maiores economias do mundo, um dos maiores mercados de streaming, e uma obra como a dele obviamente vai circular intensamente. Então por que ele não recebe?”, afirma. A proposta discutida pela entidade prevê um sistema em que empresas exibidoras, como plataformas de streaming, contribuam para um mecanismo de remuneração distribuído entre autores conforme a circulação das obras. O projeto em discussão foi desenhado especificamente para o ambiente digital e não altera regras para cinema, TV aberta ou TV por assinatura. Segundo Mielnik, os percentuais não seriam fixos em lei: seriam negociados entre plataformas, emissoras e entidades de gestão coletiva, em acordos próprios para cada empresa. A lógica, segundo ele, seria semelhante à de sistemas já existentes em outras áreas de direitos autorais, em que obras mais exibidas geram maior remuneração aos autores. Para Javier, a discussão não envolve apenas ganhar mais dinheiro. Envolve conseguir atravessar os períodos entre um trabalho e outro. Ele diz que os direitos autorais funcionam como uma espécie de colchão numa atividade em que projetos levam anos, fracassam com frequência e o próximo trabalho nunca está garantido. “É uma profissão de muita incerteza. Você nunca sabe exatamente quando vai voltar a trabalhar.” Ele próprio chegou ao roteiro vindo do jornalismo político e econômico na televisão espanhola. Após anos cobrindo eleições, crises financeiras e política europeia, deixou as redações para criar histórias de ficção. Hoje diz ter encontrado um caminho entre as duas atividades. Continua investigando histórias reais, acompanhando fontes e passando semanas em apuração, mas agora usa esse material para construir ficção baseada em histórias reais. “Com a ficção eu posso fazer o jornalismo que sempre sonhei.” Leia Também: ‘Acordada com um fuzil’, diz Deolane em carta escrita da prisão em SP