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Pesquisa no Pantanal captura 45º tatu-canastra e avança em estudo sobre reprodução

Por redacao • julho 14, 2026

Novo macho monitorado com GPS pode ajudar cientistas a identificar a paternidade de futuros filhotes e revelar detalhes inéditos sobre a reprodução da espécie ameaçada de extinção 

O Programa de Conservação do Tatu-canastra, desenvolvido pelo ICAS (Instituto de Conservação de Animais Silvestres), alcançou um novo marco no Pantanal de Mato Grosso do Sul ao capturar e monitorar o 45º tatu-canastra na região. O registro foi realizado durante uma expedição de campo entre os dias 16 e 28 de junho, na Fazenda Baía das Pedras, na Nhecolândia.

Com a nova captura, o projeto ultrapassa a marca de 50 indivíduos monitorados em 16 anos de pesquisa. Além dos 45 animais acompanhados no Pantanal, outros cinco vivem em áreas de Cerrado, nos municípios de Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo.

O novo indivíduo é um macho adulto de 1,54 metro de comprimento e 34 quilos. Mais do que ampliar o banco de dados da pesquisa, ele pode ser fundamental para desvendar um dos maiores desafios envolvendo a espécie: compreender seu comportamento reprodutivo na natureza.

Semanas antes da captura, pesquisadores registraram o macho interagindo com a fêmea Amy, já monitorada pelo projeto, durante um período compatível com a reprodução. Agora, com a identificação confirmada e a coleta de material genético, será possível verificar a paternidade caso a fêmea tenha um filhote nos próximos meses.

Segundo o biólogo Gabriel Massocato, coordenador do Programa de Conservação do Tatu-canastra no Pantanal, a descoberta representa uma oportunidade inédita para a ciência.

“Se a Amy tiver um filhote, poderemos utilizar análises genéticas para confirmar a paternidade. Isso permitirá responder perguntas fundamentais sobre a reprodução do tatu-canastra, um dos aspectos menos conhecidos da biologia da espécie”, explica.

Após a captura, o animal recebeu um colar com transmissor GPS, que permitirá acompanhar seus deslocamentos, identificar seu território e entender como os machos procuram parceiras durante o período reprodutivo.

A equipe também monitora outra fêmea, chamada Stacy, que apresenta sinais de aproximação do ciclo reprodutivo. Caso o novo macho passe a frequentar a mesma área, os pesquisadores poderão registrar novas interações e ampliar o conhecimento sobre a espécie.

Referência mundial

Ao longo de 16 anos, o Programa de Conservação do Tatu-canastra transformou o Pantanal em uma referência internacional para estudos sobre a espécie, considerada Vulnerável pela IUCN( União Internacional para a Conservação da Natureza).

As pesquisas revelaram, por exemplo, que as tocas escavadas pelo tatu-canastra servem de abrigo para mais de 100 espécies de animais, consolidando sua importância como um verdadeiro “engenheiro do ecossistema” e peça-chave para a conservação da biodiversidade no Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica.

Além de produzir conhecimento científico, o projeto também contribui para a formação de pesquisadores, publicação de estudos internacionais e desenvolvimento de estratégias de conservação no Brasil e em outros países da América do Sul.

Fonte: Oestadoonline

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