O escritor e ex-político britânico Jeffrey Archer morreu nesta segunda-feira (5), aos 86 anos. A morte foi confirmada pela editora HarperCollins, que informou que o autor morreu “repentinamente e em paz, em casa”.
Archer construiu uma carreira literária de cinco décadas e vendeu mais de 300 milhões de livros em todo o mundo. Entre suas obras mais conhecidas estão “Kane e Abel”, a saga “As Crônicas de Clifton” e a série protagonizada pelo investigador William Warwick.
Em comunicado citado pela BBC, a HarperCollins descreveu Archer como um “mestre contador de histórias” e afirmou que seus leitores “significavam muito para ele”.
O último livro do escritor será lançado nesta semana. A publicação estava prevista para terça-feira (6). Segundo o jornal britânico The Sun, Archer ainda participou de um evento em Londres no domingo, um dia antes de sua morte, no qual autografou livros para fãs.
De dificuldades financeiras ao sucesso na literatura
Nascido no norte de Londres em 15 de abril de 1940, Jeffrey Archer mudou-se ainda pequeno com a família para Weston-super-Mare, em Somerset.
Antes de alcançar o sucesso como escritor, ele construiu uma carreira política no Partido Conservador. Foi eleito para o Parlamento britânico, mas sua trajetória como deputado terminou abruptamente em 1974, quando ficou próximo da falência após o colapso de uma empresa canadense de limpeza industrial na qual havia investido.
A experiência acabou servindo de inspiração para seu primeiro romance, “Not a Penny More, Not a Penny Less”, publicado em 1975.
O livro iniciou uma carreira extremamente bem-sucedida na literatura. Mesmo enfrentando críticas, Archer conquistou milhões de leitores com histórias ambientadas principalmente nos universos da política, dos negócios, do poder e da alta sociedade.
As vendas de suas obras lhe renderam uma fortuna e permitiram que continuasse próximo da política britânica.
Ascensão no Partido Conservador
Archer usou suas conexões e sua capacidade de arrecadação para levantar milhões de libras para o Partido Conservador.
Em 1985, a então primeira-ministra Margaret Thatcher o nomeou vice-presidente da legenda.
A passagem pelo cargo, porém, durou pouco. No ano seguinte, Archer renunciou depois da revelação de que havia enviado 2 mil libras à prostituta Monica Coghlan. O escritor sempre afirmou que o dinheiro havia sido entregue apenas para ajudá-la e classificou o episódio como uma “falta de discernimento”.
Em 1992, o então primeiro-ministro John Major recomendou sua nomeação para a Câmara dos Lordes, garantindo a Archer um lugar na câmara alta do Parlamento britânico.
Escândalo levou Jeffrey Archer à prisão
Um dos episódios mais marcantes da vida pública de Archer começou com um processo por difamação contra o tabloide Daily Star.
Em 1987, o escritor processou o jornal depois de uma reportagem afirmar que ele havia mantido relações sexuais com uma prostituta. Archer venceu o processo e recebeu 500 mil libras em indenização.
Anos mais tarde, porém, surgiram evidências de que um amigo, Ted Francis, havia fornecido um falso álibi para Archer durante o processo.
A revelação veio à tona quando o escritor tentava ser escolhido pelo Partido Conservador para disputar a Prefeitura de Londres. O escândalo o obrigou a abandonar a candidatura e provocou seu afastamento da legenda.
Em 2001, Archer foi julgado e considerado culpado de perjúrio e suborno de testemunhas. Ele acabou condenado à prisão.
O episódio representou uma das maiores quedas de sua carreira pública, mas não encerrou sua trajetória literária. Após deixar a prisão, Archer continuou escrevendo e publicando romances de sucesso.
Mais de 300 milhões de livros vendidos
Ao longo de aproximadamente cinco décadas, Jeffrey Archer vendeu mais de 300 milhões de exemplares de suas obras, segundo informações divulgadas em seu site oficial.
Entre seus maiores sucessos está “Kane e Abel”, publicado originalmente em 1979, além de “As Crônicas de Clifton”, saga composta por sete romances.
Nos últimos anos, o escritor também se dedicou à série William Warwick, centrada na trajetória e nas investigações de um policial britânico.
Archer revelou em 2014 que havia sido diagnosticado com câncer de próstata.
Apesar dos diversos escândalos que atravessaram sua carreira política, o escritor manteve uma produção literária constante e continuou participando de eventos e mantendo contato com leitores até os últimos dias de vida.
A atual líder do Partido Conservador afirmou que a morte de Archer foi um “grande choque”.