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Família egípcia impedida de entrar no Brasil está confinada em aeroporto de Guarulhos há 16 dias

Família egípcia impedida de entrar no Brasil está confinada em aeroporto de Guarulhos há 16 dias

Por redacao • abril 24, 2026

Os quatro foram colocados pela companhia aérea no hotel Tryp by Wyndham, que fica localizado dentro do aeroporto, e não podem deixar o local sem autorização das autoridades. A empresa custeia a estadia da mulher e das crianças, mas não a de Montaser.

Nesta sexta-feira (24), a egípcia, grávida de 34 semanas, precisou ser levada ao Hospital São Luiz de Guarulhos. Lá, foram constatadas infecção urinária e presença de sangue na urina da gestante -um fator de risco para parto prematuro. A Folha de S.Paulo teve acesso aos laudos de exames.

Segundo o engenheiro civil, que conversou com a Folha por telefone, a assistência médica havia sido solicitada à Polícia Federal ainda na noite de quinta-feira (23), quando sua esposa teve fortes dores no baixo ventre e parou de sentir movimentos do feto.
Apesar disso, ele teria sido informado de que o pedido de uma ambulância para avaliação hospitalar fora negado. O translado aconteceu apenas na manhã desta sexta.

Montaser contou que viajava com a família vindo da Arábia Saudita e que vivia atualmente no Bahrein. Ele deixou o Egito em 2015, após ser condenado a três anos de prisão com trabalhos forçados por participar de manifestações contra o ditador Abdel Fattah al-Sisi.

Ao chegar ao Brasil, com um visto de turista, teve a entrada negada. “Isso nunca me aconteceu, eu já visitei mais de 15 países, tenho visto para o espaço Schengen (zona de livre circulação na União Europeia), para países do golfo Pérsico que possuem restrições muito severas”, afirmou.

De acordo com o advogado da família, William Fernandes, Montaser foi considerado indivíduo perigoso com base na portaria 770/2019 do Ministério da Justiça, que estabeleceu critérios para impedimento de entrada de pessoas no país.

De acordo com o texto, devem ser impedidas de entrar no Brasil pessoas que tenham ligação com terrorismo e grupos criminosos, além de com grupos ligados a tráfico de drogas, pessoas e armas de fogo ou ainda a pornografia ou exploração sexual de menores.

Montaser e o advogado afirmam não terem sido informados do motivo pelo qual a família foi enquadrada na portaria do Ministério da Justiça e negam qualquer vínculo criminoso. Além disso, expressam preocupação com a possibilidade de deportação, que poderia levá-los de volta ao Egito, onde Montaser pode ser preso.

Procuradas, as assessorias da Polícia Federal e do aeroporto de Guarulhos não responderam até a publicação desta reportagem.

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