Em “Lá na Minha Terra”, a atriz interpreta uma mulher que precisa seguir em frente depois do desaparecimento do marido, Severino (Daniel de Oliveira), e assume a responsabilidade pela família na fictícia cidade de Lavra Seca, no interior do Ceará.
Longe de ser retratada como uma mulher que acerta em todas as decisões, a personagem também terá suas contradições. Para Dira, é justamente essa combinação de qualidades e falhas que torna a personagem próxima do público.
“Rosenda não é só acertos, ela é erros também”, afirma a atriz.
Para ela, o trabalho do ator está justamente na possibilidade de explorar diferentes aspectos de uma personagem.
“O nosso trabalho, o nosso prazer está na cena, em fazer a cena. A artesania de estar em cena é o nosso grande prazer.”
A atriz diz se sentir privilegiada por voltar a interpretar uma personagem popular, capaz de dialogar com diferentes realidades do país.
“Tenho certeza de que vai representar a vida de muitas mulheres maravilhosas desse país gigante que é o Brasil”, afirma.
“É importante valorizar quem fica, e Rosenda resiste, fica, está lá na sua terra com seus filhos, dando continuidade a essa cultura linda que é a cultura sertaneja”, diz Dira.
A relação da personagem com o lugar onde vive é um dos eixos da novela. Embora Rosenda seja considerada rica, sua riqueza não está necessariamente no dinheiro que tem disponível, mas no que construiu e preserva.
“Ela não tem dinheiro, mas tem qualidade de plantação, qualidade de gado, de criação”, explica a atriz.
A rotina no sertão, porém, não será construída apenas por meio de diálogos e relações familiares. A presença de animais também faz parte do cotidiano da personagem, e lidar com eles diante das câmeras exigiu preparação da atriz.
Cavalos, cabras, bodes, galinhas, galos e bois integram o ambiente da produção e precisam parecer parte natural da vida da personagem.
“É um desafio lidar com animais em cena”, afirma.
Para as cenas a cavalo, Dira estudou a parte teórica e também fez um trabalho prático de aproximação com o animal. Ela admite que ainda sente algum receio, mas entende que o medo pode ajudar a manter o cuidado necessário.
“Isso não impede de ter um pouquinho de medo, sim, mas o medo dá aquele limite do respeito, de você ter cautela”, diz.
Mulheres de diferentes gerações
A força feminina que atravessa a história também está presente em Maria Lina, personagem de Ariane Botelho.
A atriz vê em Rosenda uma referência para a construção de sua personagem e aproxima as duas mulheres como figuras que compartilham experiências, valores e modos de enfrentar a vida.
“Eu tenho inspiração nas mulheres da minha própria família, que também são mulheres sertanejas do sertão de Minas”, afirma.
A relação entre as personagens, segundo Ariane, ajuda a mostrar como histórias e ensinamentos passam de uma geração a outra.
Ela descreve Maria Lina como uma espécie de versão mais jovem de Rosenda e imagina que, com o passar dos anos, a personagem poderia se aproximar ainda mais da mulher vivida por Dira.
Ariane também destaca a maneira como o texto de Mário Teixeira aborda mulheres que precisam conciliar a criação dos filhos, a manutenção da casa e a luta pela própria sobrevivência.
Para ela, essas trajetórias não pertencem apenas à ficção, mas remetem a experiências de mães, avós e bisavós de diferentes regiões do Brasil.
“São mulheres como nossas mães, nossas avós, nossas bisavós, que de alguma forma tiveram que dar conta de criar filhos, de sustentar uma casa, de ir para a luta”, afirma.
A atriz conta que interpretar Maria Lina tem provocado uma aproximação com a própria ancestralidade feminina. O trabalho ao lado de Dira e o contato com as histórias da novela fizeram com que ela enxergasse a personagem também como uma experiência pessoal.
Além dos laços familiares, a novela terá espaço para o romance. Ariane adianta que a relação entre Maria Lina e Raimundo Gerardo deve conquistar o público pela combinação de humor, delicadeza e sinceridade.
“Vocês podem esperar um amor muito bonito, muito poético, muito engraçado e muito gostoso de ver. É um amor muito puro, de muita honestidade e de muita beleza”, afirma.